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Trump não dá a mínima para Israel e o Irã é um Estado terrorista

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Gustavo Bezerra

O erro de Trump não foi ter atacado o regime teocrático xiita do Irã. Foi tê-lo feito sem ter um objetivo claro (derrubar o regime? provocar uma insurreição interna? impedir o país de ter armas nucleares? tomar o petróleo?).

Seu erro foi ter ido adiante sem ter uma estratégia definida, e sem tentar formar uma coalizão com os países aliados. Achou que algumas bombas bastariam, e que os aiatolás aceitariam algum acordo, como na Venezuela, após o que ele cantaria vitória e apareceria como um “peace-broker”, cacifando-se, quem sabe, para um Nobel (é o que ele acha). Não percebeu, ou não quis perceber, o fato essencial: a natureza intrinsecamente terrorista e genocida do regime iraniano.

Bem diferente da posição de Israel, que sabe, sim, o que quer nessa guerra. Muitos trumpistas, que são também antissemitas, se opõem ao envolvimento dos EUA na guerra contra o Irã porque, dizem, Trump se deixou arrastar pela “obsessão de Netanyahu”, que é a derrubada do regime iraniano. Fazem coro, assim, com a esquerda anti-Israel, igualmente antissemita.

Iranianos querem eliminar os israelenses

Pode até ser que Netanyahu e o governo de Israel sejam obcecados com o Irã, mas seria por um motivo bem compreensível: o Irã é uma ditadura de fanáticos islamitas que não reconhecem o direito de Israel existir e juraram varrer Israel do mapa e exterminar sua população. É um Estado terrorista, nazijihadista, que desde 1979 não poupa esforços para realizar sua grande ambição, presente nos discursos de todos os seus líderes, desde o aiatolá Khomeini: matar todos os judeus, terminar o serviço que Hitler e as SS deixaram incompleto. É fato.

Khamenei e Khomeini: dirigentes (falecidos) de um regime tirânico | Fotos: Reproduções/montagem

O regime islamofascista iraniano e seus proxies do Hamas e do Hezbollah são uma ameaça existencial a Israel. Derrubar tal regime, eliminar seus chefes, é uma questão de sobrevivência, um direito — e um dever — dos israelenses. Da humanidade, aliás.

Oportunidade de negócios para Trump

Trump não pensa desse modo. Para ele, não se trata de garantir a existência de Israel, ou eliminar a ameaça (real) do terrorismo islamita apoiado e financiado por Teerã.

Ele está se lixando para Israel, assim como está se lixando para a democracia na Venezuela e para a soberania da Ucrânia invadida por seu, na prática, aliado Vladimlr Putin. A guerra, para Trump, é apenas uma oportunidade de negócios e de promoção pessoal. E só.

A guerra de Israel contra o nazijihadismo dos aiatolás é uma guerra contra um regime que se colocou fora da ordem e do direito internacional. Mais que isso: que se colocou contra o próprio mundo moderno. É um regime fundamentalista medieval, que existe para o martírio, para oprimir o próprio povo e provocar um novo Holocausto.

O simples fato de que os mísseis israelenses no Irã miram alvos militares e de infraestrutura e os mísseis iranianos em Israel são disparados indiscriminadamente contra áreas civis comprova que não há equivalência moral possível entre os dois lados. É um regime que precisa acabar e dar lugar a alguma forma de democracia, em nome da civilização contra a barbárie.

A guerra somente poderá terminar com a mudança de regime em Teerã, ou com a destruição de Israel. Mas Trump já deu mostras de que não deseja o “regime change”, assim como a ONU, a Rússia, a China e muitos países europeus (e o atual governo brasileiro, aliado dos aiatolás). A guerra de Israel contra o Irã é real; a guerra de Trump é uma guerra de mentira, de fantasia, tal como o reality show que ele comandava na TV. 

Foi assim há quase um ano, com a guerra dos doze dias. Foi assim também com a guerra de Israel contra o Hamas em Gaza após o massacre de 7/10 — financiado, apoiado e planejado pelo regime iraniano.

Em todos esses momentos, Israel ficou sozinho. E, se depender de tipos como Trump, continuará assim. Lamentavelmente.

Gustavo Bezerra é escritor e diplomata.

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