Casa escondia carga de cocaína avaliada em R$ 30 milhões
Investigação da Garras (Delegacia Especializada de Repressão de Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros) revelou que uma quadrilha responsável por armazenar quase 1 tonelada de cocaína em Campo Grande utilizava uma estratégia comum no tráfico em grande escala: levar pequenas amostras da droga a possíveis compradores antes de fechar a venda. Cinco pessoas foram presas. A ação aconteceu na quarta-feira (11) e terminou com 975,640 quilos de cocaína apreendidos, volume que representa prejuízo estimado em R$ 30 milhões ao crime organizado. Segundo o delegado Roberto Guimarães, a investigação levou equipes até uma oficina, onde suspeitos estariam ligados à negociação do entorpecente. Policiais passaram a monitorar o local e aguardaram a movimentação dos envolvidos. “Fomos até a oficina e ficamos de tocaia. Em certo momento, um Celta saiu do local e foi até o estacionamento de um supermercado. Lá o motorista ficou rodando aguardando alguém chegar”, explicou. Diante da situação, a equipe acionou reforço de viaturas caracterizadas para realizar a abordagem. Um dos veículos estacionou e o motorista permaneceu dentro do carro com os vidros fechados. Ele então jogou uma pequena amostra de cocaína pelo vidro, mas acabou preso. A abordagem levou os policiais até uma residência no Bairro Jardim Montevidéu, onde estava armazenada a maior parte da droga. O imóvel pertence a um homem de 38 anos, que abriu a casa para os policiais. Dentro da residência, os investigadores encontraram a cocaína espalhada por diversos cômodos, já embalada para transporte. "A apreensão se dividiu em cloridrato em forma de pasta base de cocaína e a outra parte era cocaína pura, em pó que se fala. Foram um total de 614 peças apreendidas, 136 invólucros em formato de bola, que é a cocaína em pó. Mais 478 tabletes de pasta base de cocaína, totalizando 975,64 quilos de cloridrato de cocaína. É considerado já uma das maiores apreensões da Polícia Civil do Estado do Mato Grosso do Sul”, afirmou Guimarães. De acordo com o delegado Hoffman D’Ávilla, pela aparência da droga é possível perceber que o produto provavelmente já havia sido adulterado. “Pela textura, dá para perceber que não é a chamada escama de peixe, que é uma cocaína de exportação. É um pó mais fino e ralo, o que indica que provavelmente já estava batizada”, explicou. A análise definitiva da pureza da droga será feita pela perícia. Os tabletes e invólucros estavam envoltos em borrachas semelhantes a bexigas e cobertos de óleo, indicando que podem ter sido transportados em recipientes com combustível. “Provavelmente essa droga veio da região de fronteira. Ela estava suja de óleo, o que indica que pode ter sido transportada dentro de algum tanque ou recipiente com óleo diesel”, explicou o delegado. Para a polícia, o grupo tinha atuação organizada e cada integrante exercia uma função específica na logística do tráfico. Eles eram intermediadores e não faziam a venda fracionada da droga. O grupo atuava marcando encontros com possíveis compradores e levava amostras para negociar grandes quantidades. Durante a operação, os policiais também apreenderam quatro veículos que estariam ligados ao esquema criminoso: uma S10, uma Frontier, com registro de furto e usada para o transporte da droga, um Celta, utilizado no encontro no supermercado e um Toyota Etios. Ao todo, cinco pessoas foram presas, com idades de 18, 18, 38, 39 e 42 anos. Eles vão responder por tráfico de drogas e associação para o tráfico, enquanto um dos suspeitos também foi autuado por receptação, devido a um dos veículos apreendidos.
