Conflito entre EUA, Israel e Irã pode elevar petróleo, dólar e inflação no Brasil, alerta economista
A ofensiva coordenada de Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguida de retaliação com mísseis iranianos, amplia o risco de desdobramentos econômicos globais. Em entrevista ao Jornal Opção o economista e sociólogo César Bergo, professor de Mercado Financeiro da Universidade de Brasília (UnB), os impactos imediatos se concentram em três frentes: petróleo, indústria de defesa e comércio internacional.
“O que se preocupa hoje é o efeito dominó nas redes globais de comércio. Não é só petróleo que passa ali. Você tem várias rotas comerciais estratégicas”, afirma.
Segundo Bergo, embora o discurso oficial norte-americano enfatize a questão nuclear e militar, o petróleo é um elemento central da disputa geopolítica. “O presidente Trump já demonstrou ser contrário ao avanço das energias renováveis. Ele quer fortalecer a indústria do petróleo”, avalia.
A volatilidade do barril já se reflete nos mercados. “O petróleo abriu subindo 3%, depois chegou a oscilar entre 8% e 10% no mesmo dia. Isso é muita coisa. A partir daí você encarece toda a cadeia energética, sobretudo combustíveis”, explica.
O impacto se espalha por transporte, logística e seguros internacionais. O fechamento de espaços aéreos e redirecionamento de rotas marítimas elevam custos e prazos.
O segundo canal de impacto, segundo o professor, é o aumento dos investimentos na indústria de defesa. “Hoje, na Europa, há mais investimento em equipamento militar do que em equipamento civil. Isso significa menos recursos para saúde, educação e infraestrutura”, afirma.
A França, por exemplo, já anunciou ampliação da defesa nuclear europeia. Rússia e China condenam a ofensiva, mas evitam confronto direto com Washington. O resultado, segundo Bergo, é um mundo mais dividido e instável.
O terceiro ponto é o comércio global. Países do Oriente Médio estão entre os mais afetados, especialmente aqueles que dependem de importações e exportações que passam por rotas estratégicas da região. “No primeiro momento, os países do Oriente Médio são os mais prejudicados. Mas o impacto se espalha”, diz.
Bergo alerta que conflitos prolongados elevam riscos de erro militar e “fogo amigo”, ampliando a instabilidade. “Guerra você sabe quando começa, não sabe quando termina.”
Reflexos no Brasil
Para o Brasil, os efeitos são ambíguos. Por um lado, a alta do petróleo pode beneficiar exportações. “O Brasil hoje é superavitário na exportação de petróleo. Isso é positivo para a Petrobras”, afirma.
Por outro lado, há riscos relevantes como:
- Alta do dólar e pressão sobre combustíveis;
- Possível aumento da inflação;
- Encarecimento da energia elétrica, com maior uso de termelétricas movidas a diesel;
- Impacto no agronegócio, especialmente na importação de fertilizantes;
- Risco às exportações de proteína animal para países do Oriente Médio.
“O Brasil vai ter impacto na inflação. Vai ter impacto no agronegócio, porque importamos fertilizantes do Irã. E vai ter impacto também na logística e nas exportações”, destaca.
Risco de expansão do conflito
Bergo avalia que a expectativa de um conflito curto é incerta. “O Irã é uma das maiores forças militares do mundo. Não é um país frágil. Se o conflito se prolongar, há risco de contaminação para outras regiões.”
Ele também aponta desgaste político interno nos Estados Unidos. “Pesquisas indicam que quatro em cada cinco americanos são contra essa guerra. Isso pode gerar pressão interna”.
Para o professor, o cenário mais preocupante é o da escalada regional. “Se demorar muito, há um risco muito grande de o conflito não ficar restrito à região. E isso não será bom para ninguém.”
A ofensiva marca a segunda ação militar americana contra o Irã em menos de um ano e ocorre em meio a negociações frustradas sobre o programa nuclear iraniano. Com retaliações já em curso, o impacto econômico tende a ser sentido nos próximos dias nos mercados globais, e também no bolso do consumidor brasileiro.
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