Escoamento da soja faz fretes oscilarem entre queda de 8% e alta de 33% em MS
O início da colheita da soja da safra 2025/26 já começa a impactar o mercado de fretes agrícolas em Mato Grosso do Sul. A maior necessidade de remoção do grão das fazendas, somada ao escoamento do milho armazenado para abertura de espaço nos silos, tem reforçado a demanda por transporte rodoviário e influenciado as cotações nas principais rotas logísticas do estado. A análise integra a nova edição do Boletim Logístico divulgada nesta segunda-feira (2) pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A expectativa de produção recorde de soja no país, estimada em 178 milhões de toneladas, intensifica a pressão sobre a estrutura de transporte, sobretudo nos meses de janeiro e fevereiro, período tradicional de concentração da colheita. “O movimento reflete a sazonalidade deste mercado, em que máximas nas cotações são esperadas para janeiro e fevereiro, quando concentram grande parte da colheita da soja, principal grão produzido no país. Neste momento, a oferta de transportes começa a se mostrar as limitações existentes para equalizar o lado da demanda, especialmente aquecida pela entrada de safra de enorme magnitude”, analisa o superintendente de logística operacional da Conab, Thomé Guth. Em janeiro de 2026, o mercado sul-mato-grossense apresentou demanda firme por transporte de grãos, mesmo ainda em período de pré-colheita. Até o fim do mês, a colheita da soja alcançava 2,4% da área total, percentual inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior. A região sul do estado liderava os trabalhos, com 3,4% da área colhida, enquanto a região centro atingia 1,5% e a região norte apenas 0,02%. As condições climáticas influenciaram o ritmo dos trabalhos no campo. Houve atrasos no plantio na região norte e registros de estiagem durante o desenvolvimento da cultura em parte das áreas, especialmente na região sul. Esses fatores impactaram o volume disponível para comercialização e o ritmo das negociações, refletindo diretamente na dinâmica do mercado de fretes. Mesmo com oferta contida de cargas devido ao baixo percentual colhido, observou-se firmeza nas praças da região sul e relativa estabilidade nas regiões centro e norte, sem registro de picos expressivos de valorização. Após as festas de fim de ano, a retomada das compras por indústrias locais e regionais impulsionou o mercado interno, ampliando a circulação de cargas em rotas de curta e média distância e colaborando para a sustentação das cotações. Os embarques externos também contribuíram para a movimentação logística. De acordo com dados do Comex Stat, Mato Grosso do Sul exportou, em janeiro de 2026, 170.174 toneladas de milho e 163.557 toneladas de soja. No mesmo mês de 2025, haviam sido exportadas 85.605 toneladas de milho e 53.210 toneladas de soja. O resultado representa praticamente o dobro dos embarques de milho na comparação anual e um avanço ainda mais expressivo nas exportações de soja. No período, o estado respondeu por 4% das exportações brasileiras de milho e 8,7% das vendas externas de soja. As principais rotas de escoamento envolveram os portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e Rio Grande (RS), que concentraram a maior parte da movimentação logística. Comportamento das rotas - Levantamento da Conab mostra variações distintas entre as rotas pesquisadas em janeiro de 2026, na comparação com janeiro de 2025. No trajeto de Chapadão do Sul a Paranaguá (PR), com 240 quilômetros, o frete recuou de R$ 260 por tonelada em janeiro de 2025 para R$ 240 em janeiro de 2026, queda de 8% no ano e 4% no mês frente a dezembro. Já na rota para Guarujá (SP), de 230 quilômetros, a tarifa passou de R$ 250 para R$ 240 por tonelada, redução anual de 4% e estabilidade em relação a dezembro. Em Dourados, os movimentos foram majoritariamente de alta. Para Maringá (PR), em percurso de 84 quilômetros, o valor subiu de R$ 90 para R$ 112 por tonelada, alta de 24% no ano e 2% no mês. Para Paranaguá (PR), a 156 quilômetros, o frete passou de R$ 215 para R$ 230 por tonelada, avanço de 7% no ano e 11% frente a dezembro. No caso de Rio Grande (RS), em rota de 190 quilômetros, a elevação foi de R$ 244 para R$ 289 por tonelada, crescimento de 18% no ano e 16% no mês. Em Maracaju, o transporte para Maringá (PR), a 98 quilômetros, registrou aumento de 3% no ano, saindo de R$ 117 para R$ 120 por tonelada, com alta mensal de 7%. Já para Paranaguá (PR), em percurso de 205 quilômetros, a variação anual foi de 1%, passando de R$ 240 para R$ 242 por tonelada, com avanço de 10% sobre dezembro. Em São Gabriel do Oeste, a rota para Maringá (PR), de 118 quilômetros, apresentou alta anual de 13%, de R$ 115 para R$ 130 por tonelada, e 2% no mês. Para Paranaguá (PR), a 210 quilômetros, o frete subiu de R$ 220 para R$ 255 por tonelada, crescimento de 16% no ano, mantendo estabilidade frente a dezembro. Já para Santos (SP), em percurso de 230 quilômetros, houve elevação de 28% no ano, com a tarifa passando de R$ 240 para R$ 308 por tonelada, além de alta mensal de 4%. Em Sidrolândia, a rota para Maringá (PR), de 107 quilômetros, manteve estabilidade anual, em R$ 125 por tonelada, com alta mensal de 8%. Para Paranaguá (PR), a 223 quilômetros, o valor subiu de R$ 250 para R$ 254 por tonelada, avanço de 2% no ano e 5% no mês. No trajeto para Santos (SP), de 224 quilômetros, a elevação anual foi de 15%, de R$ 240 para R$ 275 por tonelada, com estabilidade frente a dezembro. Já para Rio Grande (RS), em percurso de 238 quilômetros, o frete passou de R$ 270 para R$ 299 por tonelada, alta de 11% no ano e 3% no mês. Em Ponta Porã, os reajustes foram mais intensos. Para Maringá (PR), a 96 quilômetros, o valor subiu de R$ 100 para R$ 133 por tonelada, alta de 33% no ano e 18% no mês. Para Paranaguá (PR), em percurso de 170 quilômetros, houve elevação de 2% no ano, de R$ 230 para R$ 235 por tonelada, com avanço mensal de 9%. Já na rota para Santos (SP), de 180 quilômetros, a tarifa passou de R$ 240 para R$ 299 por tonelada, aumento de 25% no ano, mantendo estabilidade em relação a dezembro. O cenário confirma a tendência de fortalecimento da demanda por transporte no início do escoamento da soja. Mesmo sem pressões típicas de pico de safra, o avanço gradual da colheita e o maior volume exportado já são suficientes para sustentar as cotações nas principais rotas do estado.
