Boulos diz que Lula enviará projeto para acabar com escala 6×1 e promete embate “na rua e no Congresso”
*Colaboração de Fabricio Vera
O ministro Guilherme Boulos afirmou nesta semana, durante agenda na Região Noroeste da capital goiana, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviará ao Congresso Nacional um projeto de lei, em regime de urgência, para acabar com a escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para ter apenas um de descanso.
Segundo Boulos, a proposta será tratada como “questão de honra” pelo governo federal. “O presidente Lula vai mandar um projeto com regime de urgência pro Congresso Nacional e nós vamos batalhar na rua e no Congresso pra derrubar a escala 6×1. Essa pra nós é uma questão de honra, de defesa dos trabalhadores do Brasil”, declarou.
A fala ocorreu ao final de uma coletiva marcada por forte tom político e por críticas a setores da oposição.
O que é a escala 6×1
A escala 6×1 é comum em setores como comércio, serviços e indústria. Prevista na legislação trabalhista dentro do limite de 44 horas semanais, ela permite seis dias consecutivos de trabalho com um dia de folga, geralmente aos domingos alternados.
Críticos do modelo argumentam que:
- Há desgaste físico e mental elevado;
- O tempo de convivência familiar é reduzido;
- A produtividade não necessariamente aumenta.
Defensores afirmam que:
- O modelo é legal e já regulamentado;
- É amplamente adotado em setores essenciais;
- Mudanças podem elevar custos operacionais e afetar empregos.
Até o momento, o governo não detalhou qual seria a alternativa proposta — se redução para escala 5×2 obrigatória, redução de jornada semanal ou outro formato de compensação.
Embate político antecipado
Durante a coletiva, Boulos afirmou que o envio do projeto permitirá que a população “saiba de que lado cada parlamentar está”. Ele citou nominalmente adversários políticos e disse que o tema será levado ao debate público.
A declaração ocorre em um contexto de antecipação do debate eleitoral de 2026, embora o calendário oficial ainda esteja distante. O ministro também afirmou que o governo pretende defender publicamente os investimentos federais em saúde, educação, moradia e crédito social.
Tramitação pode enfrentar resistência
Mesmo em regime de urgência, a proposta dependerá de maioria na Câmara e no Senado. Mudanças estruturais na jornada de trabalho historicamente enfrentam forte lobby empresarial e divisões dentro do próprio Congresso.
Especialistas ouvidos reservadamente avaliam que:
- O texto pode sofrer alterações;
- Pode haver negociação para compensações ao setor produtivo;
- A tramitação tende a ser polarizada.
Agenda em Goiânia
A declaração foi dada durante agenda do programa “governo na rua”, no setor Morada do Sol, onde foram oferecidos atendimentos do INSS, regularização do programa Pé-de-Meia e análise de crédito habitacional.
O evento marcou a passagem do ministro pela capital goiana com foco em ações sociais, mas terminou com forte sinalização política para o debate trabalhista nacional.
Próximos passos
Ainda não há data oficial para o envio do projeto ao Congresso. Integrantes do governo indicam que o texto está em elaboração e deverá envolver diálogo com o Ministério do Trabalho e lideranças da base aliada.
Caso protocolado em regime de urgência, o projeto pode trancar a pauta da Câmara após 45 dias, acelerando a deliberação.
A eventual mudança na escala 6×1, se aprovada, representará uma das principais alterações nas regras de jornada desde a reforma trabalhista de 2017.
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