Reportagem da The Economist coloca STF no centro de suspeitas e amplia pressão política sobre a Corte
A revista britânica The Economist publicou nesta terça-feira, 24, uma reportagem em que afirma que o Supremo Tribunal Federal (STF) está no centro de um “enorme escândalo”, em meio a questionamentos sobre a conduta de ministros da Corte e possíveis relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025, sob suspeita de fraude e irregularidades financeiras. Segundo a publicação, as investigações e os desdobramentos do caso levantaram dúvidas sobre a proximidade entre integrantes do STF e o empresário.
De acordo com a reportagem, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes são citados por supostos vínculos, diretos ou indiretos — relacionados ao banco. Toffoli teria realizado viagem em aeronave particular acompanhando advogado com ligação ao Banco Master, além de manter interlocução com representantes do setor financeiro, o que gerou críticas quanto à sua imparcialidade. Já Moraes teria sido associado a contratos de alto valor firmados entre o escritório de advocacia de sua esposa e a instituição financeira.
A revista sustenta que tais conexões levantam questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e sobre a percepção pública de independência do Judiciário. O STF instaurou apurações internas para investigar eventuais irregularidades, incluindo o vazamento de dados fiscais de ministros e familiares. Integrantes da Corte, contudo, negam qualquer conduta imprópria e afirmam não ter atuado em processos com impedimento legal.
A publicação também contextualiza que o Supremo tem desempenhado papel central em decisões de forte impacto político, entre elas o julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Segundo a análise, a postura do tribunal diante de críticas públicas tem sido classificada por setores como “intransigente”, ao enquadrar questionamentos como ataques às instituições democráticas.
O episódio ocorre em meio à aproximação das eleições gerais previstas para outubro de 2026. Conforme a revista, segmentos da direita articulam ampliar representação no Congresso Nacional e discutem a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte, em um cenário de crescente polarização política.
Como resposta à crise de imagem, o presidente do STF, Edson Fachin, propôs a criação de um código formal de conduta para os integrantes do tribunal, inspirado em práticas adotadas em outros países. A iniciativa, entretanto, foi considerada desnecessária por Toffoli e Moraes, que reiteraram não haver conflitos de interesse em suas atuações.
Na avaliação da The Economist, o Supremo enfrenta uma crise reputacional relevante, marcada por suspeitas de relações impróprias e por pressão política crescente, o que reacende o debate sobre ética, transparência e independência judicial no Brasil.
Leia também:
CPI eleva tensão entre Senado e STF ao convidar Moraes e Toffoli
O post Reportagem da The Economist coloca STF no centro de suspeitas e amplia pressão política sobre a Corte apareceu primeiro em Jornal Opção.
