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Trump agora tem um novo alvo: a Justiça dos EUA

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O presidente dos Estados Unidos voltou a tensionar as engrenagens da própria democracia (como se isso não ocorresse quase que diariamente) ao reagir, com seu jeito “único de ser”, à decisão da Suprema Corte que rejeitou as tarifas impostas nos últimos meses. Em vez de recalcular a estratégia, Donald Trump anunciou nesse sábado, 21, a elevação das tarifas globais de 10% para 15%, com efeito imediato. Foi uma resposta carregada de ressentimento, a marca registrada do republicano.

Ao ter as tarifas derrubadas, Trump disse estar envergonhado de “certos juízes” por não terem, segundo ele, “coragem de fazer o que seria certo para o país”. Como é de tradição de Donald, a crítica passa do campo institucional para o ataque pessoal. Para ele, qualquer limite ao seu poder é uma afronta à nação.

Em publicação na rede Truth Social, Donald afirmou que elevaria a tarifa mundial para o nível “totalmente permitido e legalmente testado de 15%”, alegando que diversos países exploram os Estados Unidos há décadas sem retaliação até a sua chegada. Prometeu ainda novas tarifas “legalmente permitidas” nos próximos meses para dar continuidade ao que chama de processo extraordinariamente bem-sucedido de tornar a “America great again”.

É preciso sempre lembrar que a grande questão não é a existência de tarifas – instrumento legítimo de política comercial, mas sim o uso político e punitivo que delas se faz. Trump, ao dobrar a aposta logo após ser contrariado pela Suprema Corte, abre fogo contra o Judiciário da própria nação em nome de um ego que não tolera o contraditório, nem que ele seja amplamente amparado na Constituição do País que ele governa.

No cenário internacional, destaca-se, as tarifas são usadas pelo “laranjão” como moeda de chantagem. Países soberanos são pressionados sob a ameaça de sobretaxas, como se o acesso ao mercado americano fosse um tipo de prêmio por alinhamento político. No ano passado, tarifas foram usadas contra o Brasil como instrumento de pressão, numa tentativa explícita de dobrar a soberania do país e forçar concessões.

A estratégia, como se sabe, não produziu o resultado esperado pelo republicano. O governo brasileiro resistiu, e o gesto acabou expondo mais a pirraça da Casa Branca do que qualquer fragilidade brasileira.

Agora, mais uma vez, Donald recorre ao jeito Trump de ser: reage a freios institucionais com bravatas e medidas de impacto imediato. Ao atacar a Suprema Corte, enfraquece diretamente a confiança no sistema de pesos e contrapesos que sustenta a democracia americana – aquela mesma que ele se gaba de ter, mas que há tempos não existe em seu território (a atuação aos moldes nazistas do ICE que o diga).

Aliás, as mais recentes movimentações do Judiciário norte-americano que deram freio às ações desumanas do ICE contribuíram, e muito, para a irritação de Trump com aqueles que vestem a toga. Vários juízes federais, inclusive em Minnesota e em outras jurisdições, impediram o uso de certas táticas de aplicação da lei pela ICE, como o uso de gás lacrimogéneo e projéteis contra manifestantes, e impuseram restrições ou proibições a detenções e deportações consideradas ilegais ou arbitrárias.

Além disso, tribunais em todo o país já decidiram mais de 4 mil vezes que a agência deteve imigrantes de forma ilegal, ordenando a soltura de pessoas

O presidente norte-americano, ao tratar decisões judiciais como obstáculos políticos e nações soberanas como alvos de coerção econômica, tensiona (mais uma vez) instituições internas e relações externas. É, de novo, um caos coletivo usado como ferramenta de manutenção do poder. O custo da estratégia recai sobre a credibilidade dos Estados Unidos e, por óbvio, sobre a estabilidade das regras que sustentam a ordem democrática e comercial do mundo.

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