No Jardim Imá, prejuízo por árvore caída vai de insulina a 1 tonelada de carne
Para moradores e comerciantes do Jardim Imá, em Campo Grande, esta manhã (19) é de avaliação dos prejuízos causados pela queda de uma árvore em cima da fiação elétrica da Rua Macapá, quase esquina com a Avenida Júlio de Castilhos. Eles vão desde a perda de 1 tonelada de carne em um açougue até o estoque de seis meses de canetas de insulina, segundo depoimentos que a reportagem ouviu. Gerente de um comércio de carnes na avenida, Rafael Vitório contou que o estabelecimento ficou sem energia entre 14h e 19h de ontem (18), tempo suficiente para que produtos refrigerados e congelados ficassem impróprios para o consumo. O prejuízo total foi calculado em R$ 70 mil. O proprietário do açougue chegou a tentar contratar um gerador por R$ 8 mil, mas já havia eletricidade quando o equipamento chegou. "Perdemos uma câmara fria inteira de carne porque a temperatura pode chegar só até 7ºC, no máximo. O problema é que os congelados, quando descongelam, não podem ser congelados novamente", falou Rafael. As carnes que estragaram serão descartadas e recolhidas por coleta especializada. A árvore caiu durante tempestade que atingiu o Jardim Imá e outros bairros da Capital durante a tarde. De acordo com o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), o acumulado de precipitação foi de 26 mm. Insulina - A energia foi restabelecida no mesmo dia na Avenida Júlio de Castilhos, porém ainda não na Rua Macapá. Uma equipe da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) está no local desde as 7h30 de hoje fazendo a remoção da árvore. Só após o trabalho terminar será possível religar. Entre os prejuízos para os moradores, chamou atenção a perda do estoque de insulina da irmã da técnica de enfermagem, Doralice Xavier. Elas moram em casas diferentes que dividem o mesmo terreno na Macapá. Havia canetas para aplicação suficientes para seis meses, diz a moradora. A irmã terá que sair mais cedo do trabalho para solicitar mais insulinas no posto de saúde do bairro. É também o caso do neto de uma vizinha das mulheres, a pedagoga Marilsa Benites. Com 19 anos, o rapaz perdeu tudo o que estava guardando na geladeira para durar até o fim deste mês. "Hoje de manhã ele não tomou, pedi para comer coisas com o mínimo teor de açúcar possível, enquanto tentamos retirar mais numa unidade de saúde", contou. As irmãs e a pedagoga também relatam a perda de todos os mantimentos que precisam de refrigeração. Queda prevista - Doralice afirma que já partiu de moradores um pedido para a prefeitura remover a árvore porque a espécie parecia doente, era antiga e ficava ao lado de uma outra que caiu durante fortes chuvas ocorridas há cerca de três anos. "Eram duas árvores. Aconteceu a mesma coisa com a outra, só que pior: na época, 'pegou' cinco carros e mais o salão que estava na frente. Pedimos com antecedência para removerem essa que caiu ontem, mas disseram que não era possível porque ela é muito antiga", detalhou. O Campo Grande News pediu que a pasta da prefeitura responsável por receber esse tipo de pedido confirme se chegou a fazer uma avaliação do risco e se a remoção estava prevista. Segundo a resposta recebida até a publicação desta matéria, o setor responsável está verificando o caso. Autônoma - Dona de um salão de beleza na Rua Macapá, Maria José Miranda amarga o prejuízo de ficar quase 24 horas sem energia elétrica. "Estava com a agenda cheia. Tinha seis agendamentos e tive que desmarcar outros. Foram cerca de R$ 1 mil que deixei de ganhar", diz. Maria mora numa casa na mesma rua, onde os prejuízos também chegaram. O fio do padrão de energia arrebentou e as árvores chegaram a atingir algumas telhas. "Quando estabilizar o fornecimento, as casas de todos estarão normais, mas a minha não, porque tenho que esperar arrumarem o fio e o padrão, além de tudo, entortou", finaliza. Energisa - A reportagem também procurou a assessoria de imprensa da concessionária Energisa para comentar os prejuízos dos moradores e dos comerciantes, e a demora para o restabelecimento da eletricidade. Não houve retorno para o questionamento até o fechamento. A empresa informou que uma equipe está no local nesta manhã para reestruturar a rede elétrica, enquanto a Sisep remove a árvore.
