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A Rota da seda a bordo de um trem

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Provavelmente você já leu ou aprendeu alguma coisa sobre a Rota Da Seda ou já ouviu falar das  aventuras de Marco Polo, um mercador veneziano que ficou famoso ao viajar pela mesma rota,entre 1271 e 1295, conectando a Europa à Ásia. O comerciante passou 17 anos na China, servindo à corte de Kublai Khan. Os relatos detalhados do mercador sobre a riqueza, cultura e tecnologia orientais, como no livro “As Viagens”, influenciaram profundamente a visão ocidental sobre o Oriente.

A Rota da Seda era uma rede de caminhos complexa que conectava o Extremo Oriente (China) ao Mediterrâneo, facilitando o comércio de especiarias como seda,  porcelana, papel , pólvora e ideias entre civilizações. No século XXI fala-se em uma versão repaginada dessa via histórica entre o Oriente e o Ocidente.

Desde 200 a..c, quando foram registrados os primeiros intercâmbios da Rota da Seda até as Grandes Navegações no século XV, a iniciativa de abrir caminhos, quase sempre, partia do Ocidente para o Oriente, mas isso ainda acontecia num tempo em que a China não era a potência econômica que é hoje. Desde então, os caminhos da seda seguem no fluxo contrário e servem como referência ao mencionar as transações da comerciais entre a China e o resto do mundo.

Os chineses preferem chamar de Nova Rota da Seda ou o Caminho da Iniciativa. Trata-se de um ambicioso projeto de infraestrutura e desenvolvimento lançado pelo governo chinês em 2013 que abrange também o turismo, e parte dele será lançado, no mês que vem, numa versão contemporânea, em trem de luxo.

Neste ano, a Rota da Seda ganha uma versão repaginada sob trilhos. O itinerário The Grand Silk Road da Golden Eagle Luxury, a mesma da Trans Siberiana e do Orient Express, em parceria com o governo chinês, lança, no próximo mês, a Rota da Seda de Trem 2026. São 21 dias entre Pequim e Tashkent. Uma viagem para aqueles que buscam deslocamentos lentos, onde o caminho faz parte do destino. A rota tem mais de 4500 quilômetros, cruza a China em direção ao oeste e atravessa toda Ásia Central até chegar à TashKent.

No percurso, surgem nomes de lugares citados pelo mercador Marco Polo em “As Viagens”como Xi´an, Dunhuang, Kashgar e Samarcanda, além de desertos, estepes e cidades históricas onde o passado e o presente se encontram. A travessia de três semanas é realizada por dois trens: o Golden Eagle Silk Road Express na China e o Golden Eagle na Ásia Central. É uma viagem planejada para os que querem desacelerar com estrutura. Nos trens apenas cabines luxuosas como refúgio,amplas janelas, refeições a qualquer hora e o conforto suficiente que garante uma longa travessia em movimento.

A ideia é transformar deslocamento em experiência com paisagens intermináveis e paradas históricas. A intenção é fazer com que o mundo entre pela janela num hotel que se move e conta com serviço atento, estética clássica e atmosfera silenciosa.

É hospedagem em movimento onde as paisagens contam histórias. Do deserto de Gobi às montanhas do Quirguistão, a viagem alterna deserto, oásis e cidades que ainda carregam a lógica antiga de uma rota comercial. Entre os destaques desse trecho estão as Grutas de Mogao ( Unesco) que contrastam com a paisagem do Lago Issyk-kul que também foi dsecrita por Marco Polo e outros mercadores devido à beleza singular.

O conforto também está embutido no ritmo do trem  e descansar faz parte da viagem, por isso as cabines foram criadas para dias longos sobre trilhos e contam com vários serviços, entre eles, o preparo noturno ou “turndown”. No vagão lounge o tempo perde a importância entre madeira, sofás, janelas enormes e um piano Bösendorfer no centro. Há também um vagão de observação feito para acompanhar a paisagem em silêncio. A Rota da seda de Trem leva o tempo em movimento com sabores, cuidado e fluidez.

O post A Rota da seda a bordo de um trem apareceu primeiro em Jornal Opção.