Bonde argentino "largou rixa" com Brasil para curtir Carnaval na Capital
O Carnaval de Campo Grande ganhou sotaque argentino em 2026. Um bonde com mais de 20 pessoas "largou a rixa" com o Brasil para curtir a folia na Capital. Eles visitaram, cruzaram a fronteira para conhecer de perto a festa sul-mato-grossense e acabaram se rendendo ao ritmo e à energia do bloco Capivara Blasé, que se apresentou na Esplanada Ferroviária este domingo e segunda-feira. Felizes pela presença e animados com as novidades, os carnavalescos de 4 cidades da Argentina ergueram seu estandarte na Esplanada e curtiram cada música bem pertinho do palco. Eles fizeram parte das 17 mil pessoas que estavam presentes no local no domingo e 8 mil desta segunda-feira (16). Quem conversou com o Lado B para explicar direitinho essa história foi o jornalista argentino Hernan Feck, que explicou o entusiasmo do grupo. “Somos uma delegação da Argentina, é a primeira vez que conhecemos Campo Grande e o Carnaval daqui. Estamos tendo uma experiência muito boa”, afirmou. "O pessoal falou que estamos tendo uma boa experiência, muitos deles, é a primeira vez por aqui. Tivemos um convite para vir para cá. Nossa cidade se chama Villa Guilhermina, temos o chamamé que o pessoal conhece, mas muita gente acha que é boliviano". Os visitantes representam principalmente cidades do norte da Argentina. Além da cidade citada por Hernan, estiveram presentes também Villa Ana e Florência. Segundo ele, a viagem surgiu após um convite ligado a iniciativas de intercâmbio cultural e comercial entre os países. Durante a festa, o grupo também apresentou um pouco da própria tradição, cantando e dançando chamamé, ritmo típico argentino. “A gente vem trazendo nossa cultura desde outros festivais e agora quisemos conhecer o Carnaval brasileiro. Estamos muito felizes e esperamos voltar outras vezes”, contou uma das integrantes. A iniciativa faz parte de um movimento maior de aproximação cultural. O empresário Domingo Fredes, envolvido na articulação da viagem, destacou que a ideia é fortalecer a chamada rota de integração entre cidades brasileiras e argentinas, unindo turismo, comércio e cultura. O sambista Oscar Martinez, integrante da escola Catedráticos do Samba, explicou que o contato começou justamente pelo Carnaval. “Eles participam das festas em Villa Guillermina e vieram primeiro para desfilar conosco. Agora estão conhecendo os blocos e o clima daqui. A intenção é ampliar essa troca e, futuramente, também levar brasileiros para o Carnaval deles, que chega a durar quase um mês.” Entre músicas, calor e multidão, os argentinos disseram ter encontrado exatamente o que buscavam, o chamado “calor humano” do Carnaval brasileiro. Mesmo ainda se adaptando à intensidade da festa, eles garantem que a experiência já deixou saudade e abriu caminho para novas pontes culturais entre Brasil e Argentina.
