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A luta contra o câncer: que mais “Benjamins” tenham acesso gratuito e de qualidade

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Neste domingo, 15 de fevereiro, quando o mundo celebra o Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil, a história do pequeno Benjamim Sena, de seis anos, simboliza resistência, fé e a importância do acesso a um tratamento público, humanizado e de alta complexidade. Há cinco meses, ele enfrenta um tumor maligno raro e, desde então, passou a fazer parte dos primeiros pacientes atendidos pelo Cora – Complexo Oncológico de Referência, inaugurado pelo Governo de Goiás em setembro de 2025.

De olhar atento e comportamento tímido, Benjamim luta contra uma neoplasia de glândula suprarrenal. Até o diagnóstico, levava uma vida comum: férias escolares, brincadeiras com as irmãs Ana Clara, de 14 anos, e Laura, de 9, além dos pedidos insistentes à mãe, Alessandra Cristian de Sena, para jogar no celular.

No retorno às aulas, em agosto de 2025, surgiram as dores persistentes. Inicialmente tratadas como gases, cólicas ou verminoses, depois levantaram a suspeita de apendicite. A febre, porém, não cedia. A intuição materna falou mais alto. Alessandra saiu de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, rumo a Goiânia em busca de respostas.

Após exames no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), veio o diagnóstico. Sete dias depois, o encaminhamento para o Cora. “Eu respirei fundo e entreguei a vida do meu filho a Deus. Naquele momento, eu descansei”, relembra a mãe, emocionada o dia, que soube que ele tinha um tumor maligno.

Alessandra mãe de Benjamim | Foto: Amanda Costa

Como Alessandra vinha do interior, sequer conhecia a existência do Cora. Ao pisar no hospital com o filho pela primeira vez, teve a certeza de que “era o agir de Deus”. “Eles marcaram a primeira consulta para o dia 5 de setembro, mas adiantaram para 29 de agosto. Era uma sexta-feira e, quando cheguei com o meu filho sonolento e com sonda, o Cora estava vazio — não tinha quase ninguém”, contextualiza.

“O Hecad é um ótimo hospital, mas eles são mais frios. Aqui eu me senti abraçada. Há diferença em tudo: no trato mais carinhoso, na forma como colocam a agulha no braço do meu filho. A doutora Maristela, quando nos atendeu, já sabia do quadro dele e me deu toda a segurança necessária para iniciarmos o tratamento”, afirma Alessandra Cristian de Sena.

Paralelamente a tudo isso, a mãe de Benjamim precisou abrir mão da vida profissional para se dedicar integralmente ao filho. As outras duas filhas ficaram sob os cuidados da irmã. Empregada como zeladora, com carteira assinada, ela precisou pedir desligamento pelo celular, por não ter outra alternativa. Também ligou para duas patroas para explicar que não poderia mais realizar as diárias, que serviam como complemento de renda.

Benjamim segue o tratamento; fez cirurgia em janeiro deste ano para a retirada do tumor. Seguiu para sessões de quimioterapia e hoje está internado em observação devido uma febre persistente desde quinta-feira, 12. A expectativa é que tudo corra bem até o transplante de medula óssea previsto para o dia 20 de fevereiro. O Jornal Opção, continua acompanhando o caso para uma reportagem especial.

Humanização e alta tecnologia

O Cora é o primeiro hospital público da rede estadual dedicado exclusivamente ao tratamento do câncer em crianças e adolescentes. A unidade conta com 50 leitos pediátricos e oferece atendimento de alta complexidade, o que evita que muitas famílias precisem buscar tratamento em outros estados. O hospital atende pacientes de 0 a 17 anos com neoplasias hematológicas ou tumores sólidos, além de jovens de 18 a 23 anos com câncer ósseo, como sarcoma de Ewing e osteossarcoma.

Desde o início das atividades, o hospital já realizou 864 cirurgias oncológicas, 1.223 sessões de quimioterapia e 7.965 consultas médicas. Para muitas famílias, o Cora representa mais do que um centro de tratamento: é um espaço de acolhimento e esperança, especialmente diante dos elevados índices de mortalidade por câncer no Brasil.

Cora foi inaugurado no dia 25 de setembro de 2025 | Foto: Fábio Chagas/Jornal Opção

OO câncer infantil é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos no Brasil, com cerca de 7.900 a 12 mil novos casos estimados anualmente. Apesar de ser tratável, com taxas de cura próximas a 80% em centros especializados, a mortalidade ainda é elevada, muitas vezes em decorrência do diagnóstico tardio.

“O nosso centro cirúrgico hoje é um dos mais modernos do estado. Ele conta com uma ressonância magnética acoplada ao centro cirúrgico, o que permite ao cirurgião verificar se a cirurgia foi bem-sucedida, se conseguiu retirar todo o tumor ou não. O paciente não precisa sair da sala para realizar o exame, o que garante mais precisão e tecnologia ao procedimento”, informou ao Jornal Opção o diretor-geral do Cora – Complexo Oncológico de Referência, Rafael Leandro de Mendonça.

O diretor explicou que, desde outubro de 2025, o Cora já realiza transplantes de medula óssea. “O hospital adulto já está previsto em planta, e a expectativa é que a construção tenha início ainda este ano. A ideia do estado é estruturar um complexo oncológico capaz de atender tanto a oncologia pediátrica quanto a adulta, integrando reabilitação, diagnóstico, prevenção e tratamento”, afirmou.

Ainda de acordo com Rafael Leandro de Mendonça, o Cora dispõe de dois robôs voltados à reabilitação das crianças. “Essa é uma das áreas mais bonitas do hospital, pois trabalha a recuperação do paciente operado para reinseri-lo, novamente, na vida diária”, completou.

Assistência às famílias

O Cora é um hospital estratégico tanto pela localização quanto pelo perfil assistencial. Desde o início das atividades, um mês antes da inauguração oficial, em setembro de 2025, já era evidente a existência de uma demanda reprimida de pacientes aguardando tratamento. É o caso de Benjamim Sena, cuja mãe não conseguiu regulação para um hospital especializado em câncer infantil em Brasília, distante cerca de 79 quilômetros de Formosa (GO).

O diretor-geral do Cora em entrevista para o Jornal Opção | Foto: Foto: Fabio Chagas/Jornal Opção

“Atualmente, recebemos pacientes de todas as cidades do estado e, futuramente, também de estados vizinhos”, sinaliza o diretor-geral do Cora. A casa de apoio definitiva ainda está em construção, mas as famílias que necessitam de moradia são assistidas pela própria unidade de saúde. “Contamos com uma casa de apoio provisória. Quando a família chega, ela tem um local digno para se hospedar, com alimentação adequada, cama e chuveiro”, finaliza.

Importância do diagnóstico precoce

O Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil, celebrado em 15 de fevereiro, é uma iniciativa global voltada à conscientização sobre os desafios enfrentados por crianças e adolescentes com câncer e à importância do diagnóstico precoce, já que as chances de cura podem chegar a 80%.

Em entrevista ao Jornal Opção, a psicóloga hospitalar do Cora, Joyce Souza, explicou que o atendimento às crianças é muito diferente daquele destinado aos adultos, pois ocorre de acordo com cada etapa do desenvolvimento. “A ideia não é apenas que o paciente tenha um tratamento modificador da doença, mas que, caso fique com sequelas ou necessite de reabilitação e acompanhamento, isso também seja garantido”, afirma.

Psicóloga do Cora, Joyce Souza | Foto: Fabio Chagas/Jornal Opção

O fato de o Cora oferecer um tratamento integrado, no qual o paciente realiza desde exames até cirurgias no mesmo local, amplia significativamente as chances de cura. “Isso é muito importante, porque muitos pacientes não têm condições de peregrinar por várias unidades de saúde — um lugar para realizar quimioterapia e outro para acompanhamento psicológico. Aqui, conseguimos concentrar tudo isso e manter um diálogo constante entre as equipes sobre o que está acontecendo”, enfatiza Joyce Souza.

Diferentemente dos adultos, o câncer infantil não costuma estar relacionado a fatores ambientais, o que torna a observação dos sintomas ainda mais crucial. Pais e responsáveis devem ficar atentos a sinais como febre prolongada sem causa aparente, manchas roxas ou sangramentos sem histórico de trauma, palidez inexplicável, dores de cabeça frequentes acompanhadas de vômitos matinais, além de aumento do volume abdominal ou ínguas que não regridem.

Também merecem atenção queixas persistentes de dores nos ossos ou articulações a ponto de impedir atividades cotidianas, bem como o reflexo branco no olho, semelhante ao “olho de gato”, observado em fotografias com flash.

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