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Contra o tabu da "loucura", bloco levou glitter e inclusão para o CAPS

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Na Rua Itambé, o som do surdo e o brilho do glitter venceram o preconceito vivido por quem precisa estar dentro do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Pelo menos por um dia. Quem acha que o lugar é espaço só para tristezas e complexidades está enganado. Contra o tabu da "loucura" bloco levou foi é inclusão. Por lá, sorrisos durante a folia e, claro, muito samba no pé fizeram questão de aparecer.  A festa teve direito até estandarte e cortejo pelas ruas em volta da unidade Margarida, no bairro Vila Rica. Até o Zé Gotinha apareceu para dançar. Essa é a 2ª edição do CarnaCAPS, uma iniciativa que quer levar alegria a lugares que os blocos costumam esquecer.  Não foi o caso do Bloco Subaquera e do Motoclube Insanos. Neste ano, eles se juntaram para fazer barulho por lá. A ideia é provar que o transtorno mental é apenas uma parte da vida de quem está na unidade. A proposta nasceu inspirada na ação do Bloco Calcinha Molhada no Centro Pop. Márcio Luiz de Souza Godoy, psicólogo no CAPS desde 2017, comenta que a sociedade ainda idealiza ou isola quem sofre com transtornos mentais, como se a convivência fosse impossível. “O transtorno não se resume à pessoa. A ideia é quebrar paradigmas,” afirma. Para ele, festas como o Carnaval ou os churrascos e festas juninas que o centro promove são ferramentas de inclusão social. Ocupar o espaço público e o pátio da unidade com música é um lembrete de que “todo lugar é um lugar para eles”. Márcio destaca que o CAPS não é apenas lugar de consulta e oficina. É também espaço de socialização. E, mais do que isso, a cidade inteira deve ser espaço para quem vive com transtorno mental. O cuidado não termina no portão do serviço. “A ideia é que a própria pessoa enxergue a vida além do transtorno que ela tem, porque ela é mais do que isso.” A iniciativa ganhou corpo “nos 45 do segundo tempo”, como descreve a assistente social Inara Luiza Sales Cabral. Apaixonada pela folia e inspirada por ações de outros blocos da capital, ela articulou a chegada do Subaquera até a unidade. “Tenho um grande prazer de fazer isso. A brincadeira de que ‘vou pro CAPS’ é mais que isso, é saúde mental. Saúde mental é vida, e Carnaval é cultura, inclusão, saúde pública. Misturamos tudo isso em um ambiente seguro. A música cura, a cultura é altamente inclusiva”, comenta. Ela conta que a primeira edição nasceu de forma simples, quando uma residente chamou amigos e a ideia ganhou corpo. Neste ano, o evento quase não saiu. Foi confirmado no último momento, graças à mobilização da equipe e de parceiros. A música, segundo a assistente social, tem potência terapêutica. “Aqui tem pacientes que estão abrigados com a gente e estão saindo para dançar. O Carnaval obriga a gente a ser feliz. Tem gente que acha que é ruim, mas não é. A saúde mental também pode ser coisa boa.” Para ela, a alegria também faz parte do tratamento. Não como fuga da realidade, mas como afirmação de vida. A mobilização dos servidores contou com cachorro-quente, pipoca e refrigerante. O desejo da equipe é que, no futuro, todos os CAPS da cidade se unam em um grande bloco e saiam em desfile. Para Lucas Mourão, coordenador do Bloco Subaquera e também profissional da saúde, a missão é expandir a folia para além do circuito comercial. A intenção do bloco é estabelecer uma oficina mensal no local, mantendo o ritmo vivo o ano todo. “Acho importante isso, trazer aqui e fazer o movimento. Vamos tocar e vamos fazer um cortejo, trazer alegria além do CAPS para o bairro também. É bom ver a felicidade deles. É aquela coisa que a música e a alegria trazem. É importante englobar todos nessa cultura do Carnaval.” Durante a folia, o bloco animou as poucas pessoas que estavam presentes e cantou marchinhas e músicas típicas que não podem faltar nas apresentações. O resultado? Pulos, dança e prazer em estar fantasiado. Por ali, o dia, mesmo cinza pela chuva, ganhou cor.