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O serviço de coleta de lixo em Campo Grande vale o que você paga?

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A taxa de coleta de lixo, cobrada junto com o carnê do IPTU de 2026 em Campo Grande, tem provocado debates intensos entre Prefeitura, Câmara Municipal e contribuintes. O tema ganhou ainda mais destaque nas últimas semanas com a realização de audiência pública, manifestações de moradores, críticas de entidades e a proximidade da votação que pode manter ou derrubar o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) a um projeto que altera a forma de cobrança. A votação ocorre em um momento decisivo. Na próxima terça-feira (10), a Câmara Municipal analisa o veto do Executivo ao projeto que suspende os efeitos do decreto que reajustou a taxa do lixo e elevou o valor final do IPTU. A mesma data coincide com o vencimento da segunda parcela do imposto, o que tem gerado insegurança entre contribuintes. Em audiência pública realizada na última quinta-feira (5), representantes da Prefeitura defenderam a manutenção da taxa como está. O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Marcelo Miglioli, classificou como “absurdo” o desequilíbrio econômico-financeiro do serviço, afirmando que o custo anual da coleta chegou a R$ 137 milhões em 2025, enquanto a arrecadação ficou em torno de R$ 41 milhões. Já o secretário municipal de Finanças, Isaac José de Araújo, afirmou que a defasagem gera uma perda de cerca de R$ 100 milhões por ano, comprometendo investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura. A Prefeitura sustenta que o decreto segue critérios técnicos previstos em lei complementar e que não cria uma nova cobrança, apenas atualiza valores que ficaram anos sem correção. Do outro lado, moradores, advogados e defensores públicos criticaram o reajuste e apontaram impacto desproporcional sobre famílias de baixa renda. Para a Defensoria Pública, o aumento pesa especialmente no orçamento dos mais pobres, podendo comprometer despesas básicas. Durante a audiência, contribuintes relataram aumentos superiores aos percentuais divulgados oficialmente e questionaram a falta de debate prévio. Também houve críticas à reclassificação socioeconômica de bairros, com relatos de regiões consideradas nobres pagando menos, enquanto áreas periféricas foram enquadradas em faixas mais altas. A taxa é cobrada junto com o IPTU, em um único documento. Os valores variam conforme o perfil socioeconômico do bairro, o tipo de imóvel e a área construída. Em alguns casos, a cobrança pode chegar a R$ 220 ou mais. O decreto prevê ainda a possibilidade de contestação do valor até 10 de março de 2026, junto à Secretaria Municipal da Fazenda. Com argumentos técnicos de um lado e críticas sociais do outro, a taxa do lixo segue como um dos temas mais sensíveis do início do ano legislativo em Campo Grande. Diante da repercussão e das posições divergentes, o Campo Grande News  convida os leitores a participarem de uma enquete informal e opinarem sobre o tema.