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CPMI do INSS: o que levou a base governista a proteger Lulinha?

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A decisão da base governista de barrar a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), para depor na CPMI do INSS levanta uma pergunta inevitável: por quê? Em um ambiente que deveria prezar pela transparência e pela apuração rigorosa de denúncias, impedir a oitiva de alguém citado em relatos apresentados à comissão não fortalece o governo nem o Parlamento. Pelo contrário, amplia suspeitas e alimenta a narrativa de proteção política.

A convocação partiu da oposição, com base em depoimentos colhidos pela Polícia Federal. Segundo os relatos apresentados na CPMI, um ex-funcionário de um empresário investigado teria afirmado que havia pagamento de uma suposta mesada ao filho do presidente. O objetivo, conforme o depoimento, seria facilitar o acesso de uma empresa a integrantes do governo.

Diante de uma acusação dessa gravidade, o caminho natural em uma democracia madura seria ouvir o citado, esclarecer os fatos e permitir que a investigação seguisse seu curso com total transparência.

A CPMI foi criada justamente para investigar suspeitas de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados, com milhares de processos relacionados ao tema. As denúncias resultaram em inquéritos da Polícia Federal e investigações da Controladoria-Geral da União. Ou seja, trata-se de um caso com impactos sociais relevantes, envolvendo uma população vulnerável e recursos públicos.

Nesse contexto, a decisão de barrar a convocação de uma figura citada nos relatos não parece ajudar o governo. Ao contrário, transmite a impressão de que há algo a esconder. Se não há irregularidades, o depoimento poderia servir justamente para dissipar dúvidas, desmontar acusações e dar mais força à narrativa governista.

A base governista, ao impedir a convocação, assume o risco político de reforçar a suspeita de blindagem. Em vez de enfrentar o desgaste momentâneo de uma audiência pública, optou por um movimento que tende a produzir um desgaste mais prolongado. A pergunta que fica no ar é inevitável: qual o medo de ouvir o depoimento?

O Senado já deu sinais de que o caso pode atingir outros atores políticos. O senador Renan Calheiros, ao comentar o escândalo envolvendo o banco Master, afirmou que há participação de políticos no esquema, ampliando o alcance das suspeitas. A declaração indica que o problema pode não se restringir a empresários ou operadores, mas envolver estruturas de poder.

Essa fala reforça a necessidade de investigações profundas e sem distinção de nomes ou partidos. Quando um senador experiente aponta a presença de agentes políticos em um escândalo, o mínimo que se espera é a disposição institucional de esclarecer tudo, custe o que custar. O Parlamento não pode agir como escudo para ninguém.

Blindagens políticas, sejam de governos ou de opositores, sempre cobram um preço alto da credibilidade das instituições. A história recente do país mostra que tentativas de impedir investigações ou depoimentos acabam voltando como bumerangue, transformando suspeitas em crises políticas maiores.

A CPMI do INSS tem a oportunidade de mostrar que o Congresso pode agir com independência e responsabilidade. Para isso, precisa deixar de lado cálculos partidários e priorizar a busca pela verdade. Quando uma convocação é barrada, o recado que fica para a sociedade não é de proteção institucional, mas de desconfiança. E, em política, a desconfiança costuma ser o combustível das crises.

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