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Indústria e isenção do IR devem salvar PIB de MS em ano de freio no agronegócio

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A economia de Mato Grosso do Sul, que cresceu 5,4% em 2025 – mais do que o dobro da economia nacional (2,3%) – deve desacelerar para 1,9% em 2026, seguindo o arrefecimento da economia nacional em tempos de taxa de juro elevada. As previsões constam do relatório mensal Resenha Regional do Banco do Brasil, o primeiro de 2026.  A nova projeção, porém, indicou uma ligeira melhora em relação à projeção divulgada em dezembro, que apontava crescimento do PIB de 1,4% para este ano – puxada pela perda de peso do agronegócio. A estimativa para o fechamento do PIB de 2025 também foi ajustada, desacelerando em relação à previsão anterior, que indicava alta de 5,9%. Ainda assim, o crescimento do estado deve permanecer acima da média do Centro-Oeste, cuja expansão estimada é de 1,8%, após avanço previsto de 5,1% no ano passado. Porém, abaixo da média brasileira (2%).  O crescimento da economia do estado este ano deve ser impulsionado pela retomada da indústria e o impacto positivo da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda de até R$ 5 mil, medida que deve ter efeito relevante no estado a partir deste ano.  A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda tende a elevar a renda disponível das famílias e estimular o consumo interno. O efeito deve ser potencializado pelo elevado grau de formalização do mercado de trabalho no estado, ampliando o alcance da medida sobre a economia local. Conforme o relatório, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul apresentam algumas das menores taxas de desemprego do país, ambas abaixo de 3,0%, “sinalizando um mercado de trabalho próximo do pleno emprego”. A avaliação dos analistas do Banco do Brasil é de que a combinação entre renda mais elevada, fortalecimento do consumo e dinamismo industrial sustenta um cenário de expansão mais equilibrada, com menor dependência do desempenho agrícola no curto prazo. Ou seja, a economia do estado segue a tendência do Centro-Oeste, onde a expectativa de queda na safra limita o avanço da atividade econômica. Enquanto isso, “a indústria e os serviços continuam crescendo acima da média nacional, apoiados pela cadeia do agronegócio e novos investimentos industriais, especialmente nos segmentos de etanol e celulose”. Reversão de queda da indústria  As novas projeções do relatório apontam crescimento de 3,3% do PIB industrial sul-mato-grossense em 2026, ante queda estimada de 0,6% em 2025, refletindo o resultado positivo das indústrias de celulose e etanol. O avanço da indústria local deve superar tanto a média nacional (1,8%) quanto a do Centro-Oeste (2,9%).  No acumulado de 2025 até novembro, a indústria local caiu 13,5% em decorrência da contração da indústria de transformação, marcada sobretudo pela redução na produção de derivados do petróleo, fato ocorrido também em Mato Grosso, onde a indústria acumulou queda de -6,6% na mesma base de comparação.  Na região do Centro-Oeste, somente a indústria de Goiás registrou crescimento no acumulado até novembro de 2025 (2,7%), apesar de forte queda mensal na comparação com outubro. O desempenho goiano foi impulsionado pelas atividades de fabricação de máquinas e equipamentos, confecção de vestuário e produção de veículos. Desaceleração do setor de serviços  Ainda em Mato Grosso do Sul, o setor de serviços também deve crescer ao longo do ano e apresentar alta de 2,8%, embora abaixo do registrado em 2025 (3,5%). Já a agropecuária sul-mato-grossense que, pelas projeções, avançou 18,6% em 2025, deve recuar 2,3% em 2026. Mesmo assim, a retração prevista para o agronegócio do estado é menor do que a média projetada para o Centro-Oeste, o maior produtor nacional de grãos, onde a queda prevista é de 2,6%. Dessa forma, o avanço da indústria e dos serviços deve compensar, ao menos em parte, a retração esperada da agropecuária após a safra recorde do último ciclo, em um movimento típico de acomodação pós-excepcionalidade produtiva. As projeções indicam que Mato Grosso lidera a expansão regional, sustentado pela retomada das atividades industriais e dos serviços. O estado segue ampliando a produção de etanol, consolidando-se como referência nacional em biorrefinarias. Por outro lado, a produção agrícola deve recuar 4%, pressionada pela redução da safra. A previsão de queda do PIB da agropecuária no Centro-Oeste está alinhada ao Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) mais recente do IBGE, que indica retração na produção de grãos, cereais e oleaginosas em 2026. O resultado reflete, sobretudo, as quedas projetadas para soja, algodão e milho – este último impactado por menor produtividade, especialmente na segunda safra. Soma-se a isso a elevada base de comparação: em 2025, a região registrou forte expansão de 23,6%, liderando a safra recorde nacional.