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A postura da repórter da CNN que deu uma aula sobre como lidar com os ataques de Trump à imprensa

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O caso Epstein e a divulgação dos arquivos relacionados ao financista que comandava uma rede de exploração sexual de menores é uma das maiores pedras no sapato de Donald Trump atualmente. A simples menção do nome do magnata é capaz de fazer o presidente dos Estados Unidas perder as estribeiras quase que de imediato e partir para o ataque à figura que ousou abordar o tema com ele.

Nesta semana, a repórter da CNN norte-americana, Kaitlan Collins, tornou-se um alvo da fúria do republicano. Durante coletiva de imprensa no Salão Oval, Kaitlan questionou Trump sobre a última divulgação dos arquivos do caso Epstein.

Em resposta, o presidente disse que “era hora de o país seguir em frente”, insinuando que o caso Epstein deveria ser esquecido. Kaitlan, como boa jornalista, insistiu e perguntou sobre as vítimas do financista. Foi quando Trump respondeu: “Você é a pior repórter. Ela [se referindo a Kaitlan] é uma jovem mulher que não sorri. Te conheço há 10 anos e nunca te vi sorrindo. Não é de admirar que a CNN não tenha audiência por causa de pessoas como você”.

Veja o momento clicando aqui: https://www.instagram.com/reel/DUVntoLD1LT/?igsh=MzMwMDcycWc5aXdr

Trump seguiu sua cartilha tradicional: sempre quando encurralado e sem resposta, o presidente norte-americano parte imediatamente para o ataque pessoal contra quem levantou o questionamento incômodo. O objetivo é um só: descredibilizar e desqualificar a fonte do questionamento, fazendo com que a própria pergunta e a ausência de resposta soem menos chocante.

O mesmo modus operandi era (e ainda é) usado pelo bolsonarismo no Brasil. Os maiores expoentes dessa ideologia têm o costume de atacar o argumentador, invariavelmente se referindo a ele como “petista, esquerdista, comunista” e com fontes “compradas e distorcidas pelo PT” na tentativa de macular a imagem daquela figura e, assim, ofuscar seu argumento.

Essa tática teve, inclusive, um professor. O filósofo e astrólogo Olavo de Carvalho, que morreu em 2022, “ensinava” aos seus discípulos que era preciso atacar diretamente os representantes da imprensa, e não figura abstrata dela. Ou seja: se um repórter levantava um questionamento, o alvo do ataque deveria ser aquele repórter e não o conteúdo noticiado.

Acontece que há uma maneira infalível de derrubar essa tática e manter o propósito informativo do debate ou entrevista. Foi exatamente o que Kaitlan Collins fez. Após ser ofendida pelo presidente americano e referida como a “incompetente que não diz a verdade e não sorri”, a jornalista insistiu. “Sim, presidente, mas estou perguntando sobre as vítimas de abusos”.

Note que, na coletiva, Trump voltou a atacar, dizendo que a CNN tinha “índices baixos de audiência” por causa de Kaitlan. Mas ela não se abalou e voltou a insistir na pergunta. Kaitlan sequer mudou a expressão de seu rosto enquanto tinha sua pessoa atacada pelo presidente dos EUA.

A postura da jornalista, incólume, inabalável, enfatizou uma situação gritante e deixou no ar: Trump não tinha resposta para o que era perguntado. E como sua tática de desestabilizar a jornalista não funcionou, o que lhe restou foi olhar em volta à procura de um repórter que lhe fizesse outra pergunta.

Não se deixar desestabilizar, não rebater o ataque diretamente, mas sim voltar o foco para o conteúdo da pergunta e a evidência de que essa pergunta ficou sem resposta é a estratégia mais eficiente para lidar com ataques como os de Trump.

Kaitlan Collins deu uma aula sobre como fazer isso. Para um doido, a resposta não é outro doido. Mas sim alguém são que conheça aquele tipo de doido e como não cair em suas armadilhas.

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