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Brasil: o país onde a ciência não é tratada como investimento, mas, sim, como “algo supérfluo”

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Na última semana, uma descoberta em solo brasileiro tem proporcionado um avanço científico no campo da Medicina, levando esperança para que pessoas tetraplégicas possam voltar a andar. Isso acontece graças à polilaminina, que é um composto capaz de estimular a reconexão de neurônios que foram danificados na medula espinhal. 

A polilaminina é uma molécula experimental desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio, que é professora de Biologia da Matriz Extracelular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela foi obtida por meio de proteínas extraídas da placenta humana e aplicada diretamente na região lesionada. Com isso, levanta-se a possibilidade de estimular a regeneração dos circuitos nervosos e restaurar funções que estavam perdidas.

A descoberta pode render o Prêmio Nobel de Medicina para ela e também ao Brasil, algo que seria inédito. Há quem pense que uma pesquisa dessa é algo simples de ser feito, mas não é. Essa pesquisa, especificamente, demorou 30 anos. A ciência mais uma vez surpreende de maneira positiva ao proporcionar avanços para a sociedade. 

Mas, infelizmente, o Brasil conta com uma realidade que chega a ser cruel com quem dedica anos a uma pesquisa para se ter um resultado efetivo: a falta de um orçamento digno. Exatamente! Recursos voltados para a ciência e para as universidades – que são o ponto de partida para pesquisa científica – estão cada vez mais escassos através de cortes, o que pode impactar no desenvolvimento de estudos importantes para vários segmentos. 

Com a aprovação do orçamento federal para este ano, os orçamentos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) sofreram reduções de R$ 359,3 milhões e R$ 92,4 milhões, respectivamente, em relação à proposta original, o que representa uma queda superior a 7% em termos reais quando comparado a 2025. 

Além disso, as universidades federais enfrentarão uma diminuição de R$ 488 milhões em seus recursos discricionários, comprometendo o funcionamento das instituições, a manutenção da infraestrutura, a assistência estudantil e as atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Os pesquisadores vinculados ao Programa Conhecimento Brasil precisaram fazer uma nota conjunta para falar o óbvio: essas medidas ameaçam a continuidade de projetos científicos, assim como a permanência de estudantes e pesquisadores no sistema nacional de ciência e os esforços de internacionalização da pesquisa brasileira.

Ao mesmo tempo, o orçamento traz o aumento dos valores destinados às emendas parlamentares, que alcançarão R$ 61 bilhões, além do aumento do Fundo Eleitoral, de R$ 1 bilhão para R$ 4,9 bilhões, apontando uma inversão de prioridades incompatível com um projeto de desenvolvimento baseado em conhecimento, inovação e redução das desigualdades.

A situação só destaca o abismo existente entre Brasil e valorização da ciência. Situações como essa mostram que os governantes deveriam sentir vergonha de retirar dinheiro de uma área que salva e pode transformar vidas, como o exemplo mostrado no início deste texto.

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