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Nipah tem alta letalidade, mas risco de disseminação é baixo, diz especialista

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O surgimento de novos casos de infecção pelo Nipah na Índia reacendeu alertas internacionais, mas, segundo especialistas, não há motivo para pânico nem risco relevante de disseminação global. Ao Jornal Opção, o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, afirmou que se trata de um vírus conhecido há quase três décadas, com circulação restrita e baixa capacidade de transmissão entre humanos.

“O nipavírus causa, em geral, infecções em animais e, eventualmente, em seres humanos. A contaminação ocorre principalmente pela ingestão de alimentos, como frutas contaminadas por morcegos. A transmissão de pessoa para pessoa é rara”, explicou.

De acordo com Kfouri, o que mais preocupa nas infecções registradas até hoje é a gravidade dos quadros clínicos. “Cerca de 2/3 das pessoas infectadas evoluíram para a morte. É um vírus muito agressivo, com afinidade especial pelo sistema nervoso, levando frequentemente a quadros de encefalite”, disse.

Renato Kfouri é presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações | Foto: Divulgação

Apesar da alta letalidade, o especialista destaca que a baixa transmissibilidade impede a ocorrência de grandes surtos. “Não é como gripe, covid ou sarampo, que se espalham ao falar, tossir ou espirrar. Para haver transmissão é necessário contato muito próximo ou íntimo, o que faz com que os surtos sejam sempre localizados”, afirmou.

Segundo o presidente da SBIm, justamente por ser uma doença rara e de circulação restrita, não há interesse científico ou estratégico no desenvolvimento de vacinas ou antivirais específicos. “Não há por que desenvolver vacinas ou tratamentos para uma infecção tão rara. O foco deve ser vigilância epidemiológica nos locais onde o vírus circula”, disse.

Kfouri afirmou ainda que não há registro de circulação do nipavírus no Brasil e que o risco para o país e para o restante do mundo é considerado muito baixo. “Não há motivo para preocupação, nem aqui, nem em escala global”, reforçou.

Para quem pretende viajar a regiões onde há registro do vírus, como algumas áreas da Índia, a recomendação é seguir cuidados básicos de higiene. “Água de boa procedência, frutas bem lavadas e evitar alimentos crus. São orientações que já valem para qualquer viagem”, explicou.

“Não há motivo para pânico. O alarde em torno do nipavírus é muito maior do que o risco real. Vigilância é importante, como para qualquer doença viral, mas para a população em geral o risco é mínimo”, completou.

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