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Desinformação é sólida no país, diz o livro Brasil no Espelho, de Felipe Nunes, da Quaest

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“Brasil no Espelho — Um Guia para Entender o Brasil e os Brasileiros” (Editora Globo, 219 páginas), livro recente de autoria de Felipe Nunes, merece a atenção de quem pergunta o que é preciso fazer para que nosso país se desenvolva o mínimo compatível com sua potencialidade e a capacidade de seu povo. Não que ele traga as respostas, mas traz elementos interessantes para que se pense a respeito.

Felipe Nunes é cientista político, estatístico, professor da Fundação Getúlio Vargas, e o principal executivo da conhecida instituto de pesquisas Quaest.

O livro é na verdade uma extensa pesquisa sobre o caráter, as crenças, os preconceitos e tolerâncias, as aspirações e o conhecimento dos brasileiros. Está dividido em dez capítulos, com as abordagens dos diferentes aspectos da nossa concepção social.

Até para não adiantar ao leitor o que ele terá o prazer (ou desprazer) de conhecer por si mesmo ao ler o livro, me limito a comentar o último capítulo, que o autor — até bem apropriadamente — intitula “A Ilusão do Conhecimento”.

A pesquisa feita pelo instituto que o autor do livro dirige mostra que alguma coisa não apenas negativa para a sociedade, mas também muito preocupante — a desinformação — está bem fincada em nosso solo.

Para avaliar o grau de informação factual da população brasileira, Nunes formulou, em sua pesquisa — e nisso está centrado o capítulo 10 —, quatro perguntas básicas, relativas a dezembro de 2023, de compreensão fácil para o cidadão médio, que não exigem conhecimento superior ou tecnicamente específico para serem respondidas. São elas (com os resultados):

1

Qual a taxa de desemprego brasileira atualmente registrada?

2

A economia brasileira cresceu, encolheu ou ficou estagnada no primeiro semestre de 2023?

3

Quantas pessoas morreram de Covid-19 no país desde o começo da pandemia?

4

A taxa de homicídios no Brasil caiu, aumentou ou ficou igual em 2022?

Felipe Nunes: diretor do instituto de pesquisas Quaest | Foto:

A primeira pergunta oferecia quatro opções de resposta: 17%, 7%, 5% e 2%. Apenas 17% dos entrevistados responderam acertadamente (7%), com os dados oficiais do governo.

Na segunda pergunta, apenas 28% dos entrevistados responderam acertadamente que houve crescimento.

A terceira pergunta também oferecia quatro opções de escolha (300 mil, 500 mil, 700 mil e 1 milhão). Os acertos (700 mil) ficaram em 23%.

Responderam acertadamente à quarta pergunta (caiu a taxa de homicídios) apenas 15% dos entrevistados.

No conjunto, 42% (quase metade) dos entrevistados não acertou nenhuma resposta. Os 37% acertaram apenas uma. E menos de 1% acertou as quatro, o que demonstra uma população extremamente desinformada no total. Homens com ensino superior se mostraram mais informados do que o restante da amostra entrevistada.

Deixemos para o leitor o grosso das interpretações apresentadas pelo autor ao longo do capítulo e façamos algumas, nós mesmos, à luz do que foi apurado.

É preciso duvidar de algumas estatísticas e interpretações

Em primeiro lugar, existe, por parte da imprensa independente, ainda que seja minoritária, uma desconfiança quanto aos dados divulgados pelo IBGE, ao menos na atual administração, acusada de ser por demais governista e de não divulgar dados muito desfavoráveis ao lulopetismo.

Por exemplo, dando como empregados os beneficiários do programa Bolsa-Família, o que seria uma fraude estatística. As respostas à primeira pergunta por certo sofrerão os reflexos dessa polêmica. Comentário idêntico poderíamos fazer quanto à segunda pergunta.

Quanto ao terceiro quesito, que diz respeita à pandemia, com a polêmica ainda acesa, não é de admirar que haja essa desinformação.

A questão da pandemia deixou de ser médica e científica, passou para o campo político, e é necessário ser muito bem-informado, ter ótimo discernimento e muita leitura para chegar ao âmago dos fatos correlatos.

O brasileiro comum, com uma grande imprensa cooptada pelo governo, naturalmente não chegará no núcleo puro da verdade sobre o Covid-19. É explicável que não tenha respondido bem a essa pergunta.

O próprio autor, cuja inteligência e discernimento estão acima de suspeita, faz uma quase apaixonada defesa das vacinas do Covid à página 198 de seu livro, quando hoje se sabe que elas causam sequelas, como miocardite grave em pessoas jovens, e nos EUA estão obrigadas as fabricantes Pfizer e Moderna a registrar um alerta em suas bulas.

E ficou patente, durante a pandemia, que a efetividade das vacinas mRNA é baixa, tanto assim que as fabricantes nunca divulgaram esse dado.

Quanto às taxas de homicídio, também existe, se não uma grande desinformação, ao menos uma omissão no que se passou com os governos de esquerda no poder.

As taxas de homicídio, que eram da ordem de 14 mil ao ano quando Fernando Henrique assumiu a Presidência da República e iniciou a política de segurança do vitimismo dos bandidos, do desencarceramento, da inimputabilidade dos menores, da liberação de drogas, das acusações aos policiais por dá-cá-aquela-palha etc., chegaram a 60 mil no governo Dilma Rousseff.

Só recuaram com o endurecimento ocorrido nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Isso a chamada “grande imprensa”, cujos jornalistas são predominantemente (80%) de esquerda (segundo pesquisas da Universidade Federal de Santa Catarina e da própria Quaest), e cujas direções recebem generosas verbas públicas, não divulgam.

Não interessa a quem hoje está no governo divulgar. É natural que os dados não sejam claros para a população menos instruída.

Em suma, o brasileiro é mal-informado, embora pense o contrário. Tem “a ilusão do conhecimento”, não o conhecimento em si. E essa desinformação favorece a elite no poder. Graças a ela são eleitas, a cada pleito, figuras as menos dotadas ética e intelectualmente tanto para o Executivo quanto para o Legislativo.

Aliás, desde a época da Guerra Fria, a desinformação sempre foi uma arma poderosa que as esquerdas aprenderam a usar.

Este comentário diz respeito a apenas um capítulo do excelente livro-pesquisa. Nossos políticos — que não leem — deveriam lê-lo todo. E aprender algumas lições. 

O post Desinformação é sólida no país, diz o livro Brasil no Espelho, de Felipe Nunes, da Quaest apareceu primeiro em Jornal Opção.