Apreensão de carga de nafta resulta em operação da PF na fronteira
PF (Polícia Federal) deflagrou, nesta quarta-feira (21), em Ponta Porã, a Operação Naphtos para apurar o uso irregular de nafta, substância empregada na adulteração de combustíveis. A ação contou com apoio da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão e na suspensão de atividades consideradas irregulares no município, situado a 313 quilômetros de Campo Grande. A investigação mira empresas suspeitas de usar estruturas de fachada para o manuseio e a destinação da substância. Segundo a PF, caminhões-tanque transportavam nafta com documentação fiscal incompatível com o produto. Há indícios de que o líquido era carregado e armazenado de forma clandestina em imóveis ligados aos investigados. De acordo com a Polícia Federal, a apuração que levou à operação desta quarta começou após uma apreensão feita pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) em 11 de fevereiro de 2025. Na ocasião, agentes interceptaram um caminhão-tanque durante fiscalização. Segundo o boletim de ocorrência, o motorista tentou mascarar o conteúdo ao manter, na mangueira externa do tanque, uma mistura de água e barro. Após o rompimento do lacre, os agentes constataram que o produto armazenado no interior do tanque era solvente. O veículo seguiu para o pátio por excesso de peso e risco no transporte do material. A ocorrência foi comunicada à ANP, que passou a acompanhar o caso. A partir dessa apreensão, as investigações avançaram e chegaram a empresas com atuação em outros estados. O material interceptado na Bahia serviu de base para aprofundar a apuração. Como desdobramento, a PF e o MPF (Ministério Público Federal) identificaram novas cargas ligadas ao mesmo esquema. Nesta quarta-feira, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Ponta Porã, com suspensão de atividades consideradas irregulares. Em imóveis ligados às empresas investigadas, havia indícios de armazenamento clandestino de substâncias químicas. De acordo com a PF, caminhões-tanque transportavam nafta com documentação fiscal incompatível com o produto. A investigação aponta que o líquido era usado para fins ilegais, principalmente na adulteração de combustíveis. A nota fiscal indicava transporte de “diluente de tinta suja”, mas a inspeção identificou líquido transparente, com características de solvente. Para tentar enganar a fiscalização, o motorista manteve, na mangueira externa do tanque, uma mistura de água com barro. Após o rompimento do lacre, os policiais confirmaram que o conteúdo interno não correspondia à carga declarada. A ocorrência não teve divulgação na época. A PRF comunicou o caso à ANP, que passou a acompanhar o material apreendido e aprofundar a análise. A partir dessa fiscalização, os órgãos identificaram indícios de um esquema que envolvia o transporte e a destinação irregular da substância em outros estados. Como desdobramento da apuração, novas apreensões ocorreram ao longo de 2025, inclusive no interior de São Paulo. Essas ações reforçaram as suspeitas sobre empresas com atuação em Mato Grosso do Sul e contribuíram para o avanço da investigação que resultou na Operação Naphtos. Segundo a PF, as apurações seguem em andamento e permanecem sob sigilo.
