Envelhecer na era digital, um caminho inacessível e perigoso
As pessoas idosas se veem obrigadas a adaptar-se às novas tecnologias. Temem a exclusão se não conseguem. Temem os inúmeros golpes que as espreitam nos caminhos confusos da internet. Pessoas ativas, com suas rotinas, com vida social, e em perfeitas capacidades cognitivas estão se tornando prisioneiras dos meios digitais. Conduzem, vão ao supermercado, à farmácia, viajam…Mas cada vez com mais frequência passam por momentos de tensão ou frustração por causa dos aplicativos, redes, WhatsApp, e essa proliferação de maribondos que nos atacam digitalmente. Golpes e senhas. Quem nunca sofreu um golpe digital sabe do que estou falando. Qual idoso escapou ileso dos criminosos digitais? É sensacional; estamos entregues à sanha dessa gente. As inumeráveis senhas, os certificados digitais que temos de validar… Cada interação digital se converte em um pequeno obstáculo pela ausência de alternativas humanas compreensíveis. A sensação de incapacidade que isso gera é real e afeta diretamente nossa autonomia. Acima de 60 e fora do mundo. Atualmente o Brasil conta com 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Isso significa que cada vez mais haverá gente com boa saúde, com desejo de participar ativamente na vida social e econômica, que necessitarão de serviços e cuidados adequados para integrar-se plenamente. Todavia, nos tornam cidadãos invisíveis, privados de direitos básicos, de serviços essenciais e da possibilidade de decidir sobre nossa vida. Até quando seremos esquecidos pelos poderosos?
