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Justiça arquiva inquérito contra delegado da Polícia Civil de Goiás

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Luzes e festas familiares e comerciais. Faltavam dois dias para a ceia de Natal. Era 22 de dezembro de 2021. André Fernandes, delegado em Nerópolis, na Grande Goiânia, ex-diretor-geral da Polícia Civil, sofreu busca e apreensão em casa, assim como diversos outros agentes, na Operação Iscariotes. A acusação era de fraude de boletins de ocorrência de roubos de cargas para ficar com o prêmio das seguradoras das mercadorias. Cinco natais depois, na segunda-feira, 12, a Justiça de Goiás mandou arquivar o inquérito, inclusive a pedido do Ministério Público estadual.

Sobre André Fernandes, a juíza Ana Cláudia Veloso Magalhães, do 1º Juízo das Garantias da Comarca de Goiânia, escreveu que “a devassa em seus sigilos bancários e telemáticos não revelou qualquer indício de participação ou ciência dos fatos”.

Segundo a magistrada, a “análise exaustiva do conteúdo extraído dos dois aparelhos telefônicos apreendidos com o delegado [André Fernandes, à época em Trindade] não revelou comunicações, tratativas financeiras, orientações funcionais ilícitas ou qualquer outro elemento objetivo que indicasse participação nos registros fraudulentos ou no eventual recebimento de vantagem indevida”.

Caio Alcântara Pires Martins e Demóstenes Torres: advogados | Foto: Divulgação

Foram extraídas mensagens também do telefone da escrivã Lilian Pimentel, que trabalhou com André em Trindade e teria registrado as ocorrências fraudulentas. Segundo a juíza, “a servidora manifesta preocupação com eventual desconfiança por parte do delegado [André], o teor indica inquietação subjetiva da servidora, sem qualquer conteúdo que denote ciência ou participação do delegado em práticas criminosas”.

André é um dos grandes quadros da Polícia Civil goiana. O delegado foi impiedosamente devassado e saiu por cima quando o próprio promotor de justiça, ao verificar sua inequívoca inocência, pediu o arquivamento do inquérito, prontamente acolhido pelo Poder Judiciário. — Demóstenes Torres

O advogado Demóstenes Torres, que atuou no caso, lembra que “André é um dos grandes quadros da Polícia Civil goiana. Segundo ele, o delegado “foi impiedosamente devassado e saiu por cima quando o próprio promotor de justiça, ao verificar sua inequívoca inocência, pediu o arquivamento do inquérito, prontamente acolhido pelo Poder Judiciário”. Para Demóstenes, trata-se de “um exemplo edificante de que Polícia e Ministério Público não podem ser cabos de chicote para a prática de vingança”.

A sentença, minuciosa e robusta em informações, demole a ação policial quanto a André, que agora deve entender por que a operação foi batizada em louvor ao personagem bíblico que traiu o Cristo.

“André Fernandes foi exaustivamente investigado por mais de cinco anos, com procedimento na Corregedoria da Polícia Civil, busca e apreensão em sua residência e quebra de sigilos bancário e telemático”, narra o advogado Caio Alcântara, que também atuou em sua defesa. “Absolutamente nada foi produzido em seu desfavor. O MP e o Poder Judiciário lhe deram um atestado de honestidade, porque o passaram por um moedor de carne e ele saiu inteiro do outro lado, provando que é honesto.”

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