Ministro da Agricultura cita MS como porta de entrada para parceria com Bolívia
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, destacou nesta terça-feira (17) Mato Grosso do Sul como peça central na integração do agronegócio brasileiro com a Bolívia. O titular da pasta esteve na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), no Fórum Empresarial Brasil-Bolívia, evento o qual o presidente boliviano Rodrigo Paz também participou. Fávaro apontou que a fronteira entre Brasil e Bolívia passa diretamente por estados produtores — Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo ele, as rotas logísticas que cruzam o estado, incluindo a Rota Bioceânica, são alternativas de baixo investimento para o escoamento da produção boliviana em direção aos portos brasileiros. "Por mais que seja muito importante e esteja em planejamento estratégico tanto do Brasil quanto da Bolívia as rotas bioceânicas, há conexões muito rápidas e de muito baixo investimento que visam o escoamento da safra boliviana.” Fávaro também citou a BR-364 e a hidrovia do Rio Madeira como corredores estratégicos nessa integração. Bolívia como parceira do campo sul-mato-grossense O ministro destacou que a Bolívia tem terras férteis e potencial tecnológico ainda pouco explorado e que o novo governo boliviano (partido XYZ), representado pelo presidente Rodrigo Paz, oferece segurança jurídica que antes era uma barreira para investimentos brasileiros. "Havia barreiras ideológicas. Esse governo que chega e toca o desenvolvimento, trazendo segurança jurídica para a produção boliviana, passa a ser um atrativo para empresários que visam investir na Bolívia", disse Fávaro. Para o ministro, a cooperação deve beneficiar diretamente os estados fronteiriços. "Se caminharmos nesse sentido com a cooperação Brasil-Bolívia, os dois países vão ganhar." Crise sanitária com a China Já em relação ao principal comprador da soja brasileira, Fávaro descartou risco de bloqueio chinês, mas admitiu que o problema é real. A reclamação da China não é sobre a qualidade do grão, mas sobre a presença de sementes de ervas daninhas quarentenárias nos carregamentos. "A qualidade comercial da soja brasileira é inquestionável. Não se põe isso na mesa", afirmou o ministro. Para resolver a questão, Fávaro anunciou que representantes do Ministério da Agricultura viajam à China na próxima semana para negociar um protocolo sanitário formal. Uma das propostas é o esmagamento da soja diretamente nos portos, eliminando o risco de transporte do grão pelo interior do país. Sobre navios retidos nos portos chineses aguardando análise, o ministro informou que alguns já foram liberados e que os demais têm análise em caráter prioritário. "Tolerância zero é o que a China está exigindo hoje.”
