As comitivas mineiras não usavam cavalos, vinham com burros
Durante decênios, os sul-mato-grossenses não levavam suas boiadas para Minas Gerais ou São Paulo, eram o mineiros que vinham para este imenso território comprar gado e transportá-lo para Uberaba. Ocorria no ramerrão do cotidiano dos fazendeiros locais, uma vez ao ano, a chegada alegre, barulhenta das comitivas mineiras. Os peões montados em burros. O primeiro era o cozinheiro. Além de não utilizar cavalos, ao contrário dos sul-mato-grossenses, outra diferença era o ordenamento da comitiva. A dos mineiros era capitaneada pelo cozinheiro. Chegavam com sua tralha de cozinha e mantimentos, alojados nas bruacas de couro, transportados em ambos os lados das cangalhas. Seis ou sete peões. A tropa de peões era invariavelmente pequena, apenas seis ou sete peões. Desencilhavam as montarias, passavam-lhe água pelo lombo e as soltavam. Era um espetáculo. Cansados, os animais rolavam sobre si mesmos e punham-se a pastar. Só ai, o condutor anunciava quem comandava a comitiva ou para quem seria o gado a ser comprado. Tudo muito organizado. A mineirada guardava outra tradição que chamava a atenção: eram muito organizados. Depois de tomarem o café, sempre fraco e muito doce, as bruacas eram alinhadas em ordem, rentes umas às outras, de maneira que pudessem dispor de todos os gêneros que traziam. Só depois do café, o fazendeiro do Mato Grosso do Sul colocava sua cavalhada em forma e dava rodeio no gado vendido, para o aparte do comprador. A viola e a catira. À noite, depois da negociação encerrada, o violão e seu dono quebravam o silêncio. Passado o jantar, ouvia-se o canto e ao mesmo tempo, o sapateado da catira. Todos da fazenda ouviam a festa dos mineiros e suas histórias.
