Só tem gay no Carnaval? Na estreia de trio, Majur rebate polêmica
A baiana Majur estreou, neste sábado (21), em grande estilo no comando de um trio elétrico, primeiro que faz sozinha na carreira. A apresentação aconteceu no Enterro dos Ossos, na programação do Bloco Eita e arrastou foliões pelas ruas do Centro, em um percurso que saiu do monumento Maria Fumaça, percorreu parte da Avenida Calógeras, Avenida Afonso Pena e 14 de Julho. Antes de subir no trio, às 19h, Majur rebateu o vídeo viral do Lado B e a polêmica que circulou nas redes de que há mais gays nos blocos de Carnaval do que héteros e o quanto as mulheres estão sofrendo com isso. Para ela, a discussão revela muito mais sobre transformação social do que sobre números. “Eu acho que as pessoas estão percebendo que as bolhas estão se desfazendo. Quem era de uma bolha começa a coexistir com outros grupos. O que está acontecendo é a estranheza do que antes não se via, que era a repressão. A gente tinha um processo de colocar cada vez mais à margem da sociedade o público LGBT. Isso dói, incomoda. A LGBTfobia existe e não permite que sejamos felizes em sociedade. Agora o que era escondido está livre.”, afirmou. Majur classificou a discussão como “idiota e fútil” e lembrou que o Carnaval sempre teve espaços diversos. “Tem trios super héteros, como os de Léo Santana e vários outros. Se você vai em um bloco gay, é claro que vai ter bateção de leque”, brincou. O acessório, aliás, virou símbolo do Carnaval 2026 e ganhou ainda mais força nas ruas, seja pelo calor ou como expressão de identidade. No repertório, a cantora misturou as músicas que estão embalando o Carnaval com canções autorais. “Já que sou eu que estou aqui, vou trazer todo mundo”, disse, ao defender uma festa plural, onde diferentes públicos podem celebrar juntos. Entre os foliões, a percepção é semelhante. Gabriel de Moraes Teodoro, de 26 anos, acredita que há, sim, uma maior presença da comunidade LGBT nos espaços públicos, mas isso tem relação direta com segurança e visibilidade. “Acho que estamos caminhando para algo mais seguro. Essa discussão é uma balela. Todo mundo tem direito de ocupar seus espaços e isso não significa tirar o do outro. Significa a comunidade sendo vista e reconhecida. Não está tão desproporcional assim”, avaliou. Daniele Rehling, de 33 anos, concorda. Para ela, o que mudou foi a coragem de se mostrar. “Estamos só tendo mais visibilidade, aparecendo mais. Temos mais coragem para ser o que sempre fomos. Sempre estivemos nesse espaço, mas agora ocupando mais. Não estamos roubando nenhum espaço, só ocupando o que também é nosso.”
