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“Há muito a ganhar juntos”: acordo com a Índia pode transformar comércio e indústria em Goiás, afirma presidente da Fieg

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O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, afirmou ao Jornal Opção que o recente acordo firmado entre Brasil e Índia pode ampliar de forma significativa o comércio bilateral e abrir novas oportunidades para a indústria goiana, especialmente nas áreas de bioenergia, mineração de terras raras, tecnologia e setor farmacêutico.

Segundo ele, apesar da relevância econômica dos dois países no cenário global, as relações comerciais ainda são consideradas modestas. “O que eu costumo dizer é o seguinte: o Brasil foi descoberto quando Portugal encontrou o caminho alternativo para as Índias. Estamos conectados há mais de 500 anos, mas o comércio entre os dois países ainda é muito tímido”, declarou.

Rocha contextualizou que Brasil e Índia estão entre as dez maiores economias do mundo, com a Índia figura entre as primeiras posições e o Brasil ocupa a oitava colocação. Ainda assim, o volume de trocas comerciais, que era de US$ 5 bilhões há dez anos, subiu para US$ 15 bilhões e tem meta de alcançar US$ 20 bilhões até 2030.

“Para você ter ideia, o comércio com Europa e Estados Unidos gira na casa dos US$ 100 bilhões. Então há muito espaço para crescer, principalmente pela complementariedade das economias”, afirmou.

De acordo com o presidente da Fieg, Brasil e Índia são grandes produtores de alimentos e podem atuar de forma conjunta em segurança alimentar, transferência de tecnologia, defesa, mineração, transição energética, biocombustíveis e inclusão digital.

“São dois grandes produtores de alimentos que podem fazer parceria em segurança alimentar, transferência de tecnologia, defesa, armamentos, mineração e transição energética. O Brasil é um parceiro estratégico para a Índia”, disse.

Ele também mencionou que, diante das disputas comerciais globais e da concorrência asiática, a Índia busca diversificar suas parcerias econômicas. “Para a Índia é importante ter uma economia independente na produção. E, como o Brasil, nós temos muito a ganhar juntos”, completou.

Rocha destacou ainda que empresas brasileiras já mantêm presença consolidada no mercado indiano, citando o exemplo da Embraer, que atua no país há cerca de 15 anos.

Impactos para Goiás

Ao analisar os reflexos do acordo para Goiás, André Rocha afirmou que qualquer avanço nas relações bilaterais tende a beneficiar diretamente o estado. “O que é positivo para o Brasil acaba sendo positivo para Goiás”, afirmou.

Entre os exemplos citados, ele destacou o avanço do etanol na matriz energética indiana. Segundo Rocha, há cerca de dez anos a Índia adotava mistura de 2% de etanol na gasolina e hoje o índice se aproxima de 20%.

“Eles começaram com 2% e hoje já estão próximos de 20%. Em dez anos, multiplicaram por dez a mistura. Isso é estratégico para o Brasil, porque abre mercado para tecnologia flex, para a produção industrial e fortalece a bioenergia em Goiás”, explicou.

O presidente da Fieg avalia que o crescimento do uso do etanol também pode impulsionar novas frentes, como o desenvolvimento de combustível marítimo e combustível sustentável de aviação com base no biocombustível.

Na mineração, Rocha citou o potencial goiano na exploração de terras raras. “Você pode não só minerar, mas industrializar e agregar valor nessa cadeia produtiva. O Senai Goiás pode atuar na formação de mão de obra e na qualificação técnica para esse novo ciclo”, afirmou.

O setor farmacêutico também foi apontado como estratégico, tanto pelo volume de importações brasileiras de insumos indianos quanto pela possibilidade de atração de investimentos industriais.

Outro ponto destacado por Rocha é o tamanho do mercado indiano, que supera 1,4 bilhão de habitantes. Mesmo que apenas uma parcela da população consuma determinados produtos, o potencial de escala é expressivo.

“Mesmo que você fale que só 10% da população consome determinado produto, estamos falando de 140 milhões de pessoas. Se for 20%, são 280 milhões. É mais do que a população inteira do Brasil”, comparou.

Para o dirigente, essa escala pode beneficiar setores como proteína animal, indústria de transformação, bioenergia, tecnologia e até educação técnica. “Se você for criativo, desenvolver tecnologia, qualificação profissional e agregar valor, há um potencial muito grande para Goiás ampliar sua presença nesse mercado”, concluiu.

O post “Há muito a ganhar juntos”: acordo com a Índia pode transformar comércio e indústria em Goiás, afirma presidente da Fieg apareceu primeiro em Jornal Opção.