Histórica reforma da Hércules Maymone pode superar R$ 20 milhões
A reforma do CEEP (Centro Estadual de Educação Profissional) Hércules Maymone, em Campo Grande, pode superar R$ 20 milhões, segundo o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, em entrevista ao Campo Grande News nesta quarta-feira (11). “Talvez seja a obra de recuperação mais cara do Estado”, afirmou, ao citar o porte da unidade, com dois blocos, múltiplos pavimentos, auditório e ginásio. O projeto arquitetônico já está concluído e o governo pretende iniciar ainda em 2026 o processo de licitação. A data de anúncio depende da agenda do governador. O valor mencionado pelo secretário coincide com a estimativa já divulgada anteriormente para a reforma completa e ampliação da escola. A escola Hércules Maymone se enquadrou na próxima peça de um conjunto de quatro escolas que, segundo Hélio, carregam valor simbólico para Campo Grande. “São escolas que fazem parte da história, pois quantas e quantas gerações passaram por ela”, afirmou, citando como já restauradas ou em fase final outras unidades tradicionais do Centro, a Maria Constância e Lúcia Martins Coelho. Essa unidade escolar começou a funcionar em agosto de 1989 e, desde 2020, integra a rede de centros de educação profissional, com ensino médio integrado ao técnico. Hélio informou que a obra será a recuperação do prédio como um todo e cita o porte da unidade como principal fator para o custo elevado. “É um prédio realmente muito grande, são dois blocos com quatro, cinco pavimentos”. Também lembrou que a escola tem equipamentos que encarecem o pacote, como auditório e ginásio. Expectativas - Mais do que números, a intervenção mexe com a expectativa de quem vive o prédio diariamente. Diretor da unidade, o professor Renato Aguiar afirma que, apesar das adequações frequentes, a escola nunca passou por uma reforma estrutural ampla. “Nós nunca tivemos uma obra grande de reconstrução aqui. O que aconteceu nos últimos quatro ou cinco anos foram reformas pontuais. O Hércules Maymone, pela própria estrutura de concreto, nunca passou por uma reconstrução completa.” Segundo ele, a escola se adapta anualmente a novas exigências legais, com melhorias em cozinha, depósito e banheiros, mas sempre de forma fragmentada. “Muitas vezes acabamos adaptando algo novo a um projeto arquitetônico antigo.” A proposta atual, segundo Renato, é diferente. A intenção é integrar arquitetura e pedagogia. “A ideia é trazer harmonia à arquitetura, mais conforto e bem-estar ao estudante, sempre com foco na qualidade do ensino. Um ambiente reformado, acolhedor, moderno e com paisagismo influencia diretamente na experiência do aluno. É isso que o jovem pede.” O diretor afirma ter visto o projeto arquitetônico, que prevê modernização da fachada, paisagismo e reorganização dos espaços internos. “Haverá uma renovação completa da frente da escola.” Tecnologia e laboratórios - Além da reforma estrutural, a escola deve receber novos equipamentos por meio de emenda parlamentar destinada pela deputada estadual Lia Nogueira (PSDB). Com os recursos, os gestores adquirirão equipamentos voltados aos itinerários formativos (áreas de programação e jogos digitais). Estão previstos espaços criativos e um laboratório de produção audiovisual. “São elementos que transformam a unidade e ampliam as possibilidades para os estudantes da escola pública. Quando falo que o estudante fica refém, é da falta dessas oportunidades. Ao receber equipamentos tecnológicos, sistemas de segurança e adequações legais, a escola se atualiza.” A reforma também envolve reestruturação elétrica para viabilizar climatização. A rede precisará ser redimensionada para suportar os aparelhos de ar-condicionado. Há ainda discussão sobre eventual implantação de energia solar. Os laboratórios deixarão de ter bancadas fixas e passarão a contar com mobiliário móvel, permitindo diferentes configurações conforme a metodologia adotada. “Isso dialoga com metodologias ativas, que estimulam maior interação entre estudantes e docentes.” Atravessa a cidade - Localizada em frente ao terminal e na região central, a Hércules Maymone atende alunos de 64 bairros diferentes. “Não atendemos apenas um bairro específico. O estudante vem de várias regiões e leva essa experiência de volta para sua comunidade. Costumo dizer que o Hércules é um grande quebra-cabeça.” A unidade começa o ano com cerca de 1.300 alunos e termina com aproximadamente 1.400 matriculados. Ao longo do período letivo, o número de matrículas chega a duas mil, considerando entradas e saídas. São 27 turmas, com maior concentração no período matutino e aumento novamente no noturno. O diretor afirma que não há intenção de transformar a escola em unidade de tempo integral. “Somos uma escola de passagem. Muitos estudantes conciliam estudo com trabalho. Cada unidade atende a um perfil para equilibrar a demanda.” Sobre a dinâmica durante a obra, ele garante que já existem planos definidos. “Existem planos A e B prontos. O que ainda precisamos definir é qual será executado.” “É minha segunda casa” - Para quem está na escola há mais de duas décadas, a expectativa é menos técnica e mais emocional. Lucival Cabral de Deus, 63 anos, profissional de expressão e recepção da escola há 21 anos, acompanha a rotina diária de milhares de estudantes. “Todos estão na expectativa de que a estrutura do colégio melhore como um todo. A questão dos banheiros, das salas de aula, que fiquem mais climatizadas e padronizadas, porque hoje o ambiente é bastante quente.” Ele acredita que a melhoria impacta diretamente no comportamento dos alunos. “Quando o ambiente é organizado, cuidado, o estudante tende a colaborar mais. Quando o espaço está desorganizado, ele sente que está meio abandonado.” Lucival não esconde o vínculo afetivo com o local. “Eu gosto muito daqui. É minha segunda casa. Trabalho com prazer. Estar aqui é muito bom.” Joaquim Murtinho - Enquanto a reforma da Hércules ainda aguarda licitação, a Escola Estadual Joaquim Murtinho, na Avenida Afonso Pena, recebeu investimento de R$ 7 milhões e está com 70% da obra concluída. Segundo o secretário Hélio Daher, o principal desafio é a logística. O prédio não permite acesso interno de caminhões para descarga de materiais, o que torna o processo mais lento. Inaugurada em julho de 1922, a escola passa por reforma geral desde março de 2023, incluindo telhado, parte elétrica, pintura, janelas, andares, estacionamento, calçada e ginásio. O diretor Cláudio Morinigo afirma que toda a intervenção ocorre com alunos e funcionários dentro da escola. “Nós não saímos. Vamos migrando os alunos e colocando tapumes para que possa ter aula e desenvolvimento da obra ao mesmo tempo.” Apesar dos transtornos, ele vê vantagem no acompanhamento diário. “Quando a escola sai do prédio e volta depois da obra, fica mais complicado corrigir problemas.”
