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A economia do nada

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Folha 
Achei barato demais. O artista italiano Salvatore Garau causou espanto por vender uma escultura invisível, autenticada por um NFT (token de bens não fungíveis), por R$ 90 mil. Argumentou que não vendia o "nada" e sim "um espaço repleto de energia" e de "ar e espírito". Convenhamos, isto deveria valer muito mais. Até porque a obra se chama "Eu Sou", o que pediria do seu autor mais autoestima.

Há muitos nadas sendo vendidos, há muito tempo, por muito mais do que isso. E sem tanto espanto. Uma sempre citada bolsa, por exemplo, pode valer uns milhões de reais. Seus fabricantes alegam que o custo se deve ao demorado e meticuloso processo de produção. Mas analistas justificam o valor com uma retórica mais bonita: "[Não se] vende uma bolsa. [O que se] vende [é] a história, o relacionamento, o "savoir-faire", o tempo, a raridade, (...) um símbolo, não um produto. [Vende-se] a relação com o tempo".
Traduzindo: um vácuo cheio de energia, ar e espírito, como o de Garau -só que com uma sacola de couro de brinde. Leia mais (01/25/2026 - 22h00)