Histórico, prédio rosa vai mudar de cor nos 100 anos da Auxiliadora
O histórico casarão rosado onde funciona o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora vai ganhar um novo visual. Em 2026, a escola completa 100 anos e o prédio está em processo de revitalização e restauro. Ao final, a fachada deixará o rosa claro, tom fixo desde meados dos anos 1990, para reassumir a paleta cinza, cor que revisita as origens da construção e que foi escolhida a partir de estudos técnicos e pesquisas históricas. O processo de reforma começou há quatro anos, e deve seguir por pelo menos mais um ano e meio. De acordo com Cláudia Brum, uma das arquitetas responsáveis pela obra, as mudanças não foram aleatórias nem decisões recentes. Fazem parte de um projeto minucioso que busca resgatar características originais do prédio. “Já faz quatro anos que a gente está trabalhando nesse projeto de restauração. Então não é algo que foi feito de uma hora para outra, foram quatro anos de estudo, respeitando a história e o valor simbólico que esse lugar carrega”, destaca. Segundo Cláudia, o tempo prolongado não foi excesso de zelo, mas uma necessidade. “Embora o nosso prédio não seja um prédio tombado, ele tem um peso importante para a cidade. Então, tudo teve que passar por avaliação de diferentes órgãos da Prefeitura”, afirma. A mudança da cor rosada para o cinza será o ponto mais visível para quem passa pelo prédio que toma uma quadra inteira no quadrilátero da Avenida Mato Grosso com as ruas Rua Pedro Celestino, Antônio Maria Coelho e Padre João Crippa. Também, foi um dos temas mais debatidos da revitalização. “A escolha da cor, dos elementos e dos materiais que vão ser utilizados foi definida a partir de estudos, laudos técnicos e prospecções. Foi um trabalho muito detalhado, buscando registros originais”, explica. O processo de prospecção pictórica, citado por Cláudia, é uma técnica que identifica todas as camadas de tinta aplicadas ao longo do tempo. O material nas paredes foi coletado até chegar ao tijolo original e depois analisado em laboratório. “Um dos pedidos da Prefeitura foi que adotássemos as cores que o prédio já recebeu em pinturas anteriores, e que a escolha fosse feita a partir desse laudo de prospecção. Então, a escolha das cores não foi aleatória. Existe laudo técnico e aprovação dos órgãos competentes. Tudo foi costurado ao longo desses quatro anos”, detalha. Fotos históricas da década de 1930 confirmam o resultado dos laudos, mostrando a fachada em tom acinzentado, com esquadrias escuras, quando o prédio ainda estava em fase inicial de construção. De acordo com a arquiteta, a proposta geral do projeto é equilibrar preservação e funcionalidade. “A revitalização respeita o passado, mas entende que a escola precisa acompanhar o presente, porque ela tem alunos, pais e um projeto pedagógico atual”, explica. Por isso, enquanto fachadas, janelas e materiais históricos passam por restauro cuidadoso, os espaços internos também recebem adaptações necessárias à educação contemporânea. “Revitalizar não é só restaurar. É trazer o que era original, mas permitir que a escola funcione no tempo de hoje. Além disso, essa revitalização não pode ser apenas para ser algo bonito. Ela precisa entender o propósito das irmãs”, resume. Além do profissional, Cláudia tem um elo com o colégio que atravessa décadas e gerações. A mãe dela estudou no Auxiliadora nos anos 1950. Ela própria passou parte da infância e adolescência ali, e os filhos repetiram o mesmo caminho e também estudaram na escola. “Quando eles me chamaram para fazer a composição desse estudo técnico, eu achei que foi uma grande bênção, porque quem é daqui consegue entender o que realmente é necessário em uma revitalização. A escola entra em um novo centenário preparada. O processo começou por dentro e agora vai aparecer para fora,” finaliza. 100 anos de história - Fundado em 1926 pelas irmãs do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, o colégio é uma das instituições de ensino mais antigas do Centro-Oeste. Antes de se fixar no endereço atual, em 1931, a escola funcionou onde hoje está o Centro Cultural José Octavio Guizzo, o Teatro Aracy Balabanian. A sede definitiva foi sendo construída aos poucos, em blocos, acompanhando o crescimento da cidade. Na época, o local era considerado distante do centro urbano do município em desenvolvimento. Ao longo das décadas, o prédio passou por reformas pontuais, trocas de cores e adaptações, mas sempre preservou o estilo arquitetônico original, tanto na fachada quanto nos espaços internos. O Auxiliadora foi internato feminino por muitos anos e recebeu meninas de várias regiões do então Mato Grosso uno. Algumas delas permaneciam meses longe de casa, em uma época em que estudar não era um direito garantido para todas. Somente em 1986 o colégio passou a também receber estudantes homens. Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial , Facebook e Twitter . Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui) . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News .
