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Não é brincadeira, o instinto de caça não sai do DNA dos cães

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Correr atrás de insetos, capturar pequenos animais ou tentar caçar aves é uma cena comum para muitos tutores de cães. Apesar de parecer inofensivo aos olhos humanos, o comportamento de caça não deve ser tratado de forma superficial. Quando ocorre em contextos inadequados, pode trazer prejuízos tanto ao animal quanto aos tutores. Segundo o biólogo e analista do comportamento aplicado ao condicionamento e bem-estar animal Alexandre dos Santos Borges, de 34 anos, o instinto de caça é uma característica natural dos cães ligada à origem predadora da espécie. “Apesar de terem sido domesticados, cães são predadores. A caça é um comportamento comum em predadores e está relacionada à sobrevivência e ao sucesso evolutivo”, explica. Algumas raças apresentam maior predisposição para esse tipo de comportamento, especialmente aquelas historicamente utilizadas para auxiliar humanos na caça. É o caso dos cães do grupo dos terriers, como Jack Russell, Fox Terrier e Yorkshire, desenvolvidos para perseguir pequenos roedores. Ainda assim, outras raças também podem manifestar o instinto, em maior ou menor intensidade. “Esses comportamentos têm base genética, são autorrecompensantes e podem ser reforçados por suas consequências imediatas. Assim como nós, humanos, somos animais sociais, o cão é um predador e tem necessidade da caça. Estímulos como o movimento de correr ou voar podem desencadear comportamentos como perseguir, morder e capturar”, detalha Alexandre. O problema surge quando a caça deixa de ser apenas um comportamento natural e passa a representar risco. Entre os perigos estão ferimentos, transmissão de parasitas, doenças graves e até intoxicações. Além disso, o cão pode desenvolver comportamentos compulsivos, aumentando o risco de ataques a outros animais domésticos e até a crianças. O especialista ressalta que o comportamento só pode ser considerado inofensivo quando o cão vive em um contexto de manejo adequado, com as necessidades físicas e mentais atendidas. Nessas situações, impedir a caça em ambientes de risco não compromete o bem-estar do animal. “O comportamento, apesar de biológico, pode indicar uma carência importante na rotina desse cão e deve ser avaliado por profissionais. Um animal com rotina harmônica reduz as chances de desenvolver comportamentos problemáticos”. Ao presenciar tentativas de caça, a orientação é não agir por impulso. Qualquer intervenção deve levar em conta o contexto de vida do animal e, preferencialmente, contar com acompanhamento profissional. Soluções genéricas podem agravar o problema e gerar novos comportamentos indesejados. Segundo Alexandre, o manejo do instinto de caça é possível com avaliação individualizada. “Comandos como ‘senta’, ‘fica’ e ‘junto’, aliados a atividades lúdicas que envolvem perseguir, buscar bolinha ou brinquedos, morder e passeios estruturados, ajudam a atender às necessidades da espécie e também às individuais do cão”, explica. O acompanhamento profissional é indicado de forma preventiva, desde a chegada do animal ao lar, mas o especialista destaca que nunca é tarde para ajustes, independentemente da idade. “Os animais, no contexto doméstico, são extremamente dependentes. Os comportamentos não são culpa do cão, mas respostas aos estímulos do ambiente. Por isso, é fundamental investir na educação dessa família multiespécie como um todo”, conclui. Por fim, o especialista reforça que o instinto de caça não deve ser eliminado, e sim manejado ao longo da vida. A proposta é oferecer alternativas seguras para que o cão possa expressar esse comportamento natural sem colocar em risco a si mesmo, outras pessoas ou o ambiente.