Vítima de esteticista, nutricionista vai passar por perícia nos lábios
Decisão da 2ª Vara Cível de Campo Grande determinou a realização de perícia médica na nutricionista Lorena Pereira de Sena, vítima de aplicação irregular de preenchedor estético de polimetilmetacrilato (PMMA). A prova técnica foi solicitada tanto pela vítima quanto pela ré, a esteticista Bruna Paniago. O Diário Oficial publicou hoje o despacho assinado pelo juiz substituto Tito Gabriel Cosato Barreiro. Bruna foi presa pela Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo) em abril do ano passado. A perícia foi considerada essencial para esclarecer qual substância foi aplicada, a conduta adotada pela profissional, a assistência prestada após o surgimento das complicações e a extensão dos danos sofridos pela paciente. Na decisão, o magistrado nomeou a CPM (Cury Serviços Médicos) como responsável pela perícia. O laudo deverá apontar se houve falha no procedimento, se os sintomas apresentados pela nutricionista decorrem da intervenção estética e quais os impactos permanentes à saúde dela. O prazo para entrega do laudo é de 30 dias após o início dos trabalhos periciais. Como ambas as partes solicitaram a perícia, o juiz determinou o rateio dos honorários, fixados em R$ 1.850. No entanto, como Lorena e Bruna são beneficiárias da justiça gratuita, o valor deverá ser pago pelo Estado de Mato Grosso do Sul ao final do processo, em caso de condenação. Revelia – A decisão também manteve a revelia da esteticista, ao rejeitar o pedido da defesa para reabertura do prazo de contestação. Bruna alegou que não apresentou defesa no prazo legal por estar submetida a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, após prisão em flagrante em abril de 2025. Para o juiz, o monitoramento eletrônico não impedia a apresentação de defesa nem suspende prazos processuais. Antes mesmo da prisão, Lorena relatou ao Campo Grande News inflamações severas, inchaço persistente e risco de necrose nos lábios após um procedimento que, segundo ela, foi vendido como aplicação de ácido hialurônico. No entanto, exames indicaram se tratar de um preenchedor sintético, possivelmente PMMA, substância que não é absorvida pelo organismo e que, em casos como o dela, só pode ser retirada por meio de cirurgia, orçada em cerca de R$ 35 mil. Bruna foi presa por exercício ilegal da profissão e outros crimes relacionados à atividade clandestina de estética, sendo solta no dia seguinte, mediante uso de tornozeleira eletrônica.
