Justiça anula votos de partido por fraude e Bandeirantes tem novo vereador
A Câmara Municipal de Bandeirantes terá alteração em sua composição após decisão da Justiça Eleitoral que reconheceu fraude à cota de gênero nas eleições proporcionais de 2024 envolvendo o partido União Brasil. A medida resultou na anulação de todos os votos atribuídos à legenda e na perda do mandato do vereador Valdir Péres Pereira (União Brasil), abrindo vaga que passa a ser ocupada por pelo policial civil Eugênio Fernandes Júnior (PSDB). A mudança na composição do Legislativo foi consequência direta da cassação do DRAP (Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários) do União Brasil, decisão que levou à anulação de todos os votos atribuídos à legenda na eleição proporcional. Com isso, o então vereador Valdir Péres Pereira (União Brasil), eleito em 2024 com 185 votos e que exercia a função de segundo secretário da Mesa Diretora da Câmara, perdeu o mandato. Segundo o TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul), ficou comprovada a existência de candidatura feminina fictícia apresentada pelo União Brasil, configurando fraude à cota mínima de gênero exigida pela legislação eleitoral. A candidata envolvida, Marcilene de Souza Brum, foi condenada à inelegibilidade pelo prazo de oito anos. A decisão atingiu todos os candidatos eleitos e suplentes vinculados à chapa proporcional do partido. Com a anulação dos votos do União Brasil, foi necessária a redistribuição das cadeiras da Câmara Municipal. Na nova contagem, Eugênio Fernandes Júnior, que havia obtido 183 votos nas eleições de 2024 e figurava como suplente, passou a ocupar a vaga deixada por Valdir Péres. Eugênio Fernandes já possui experiência no Legislativo municipal, tendo exercido mandato de vereador entre 2017 e 2020. Antes de retornar à Câmara, ele ocupava o cargo de secretário municipal de Governo, mantendo atuação política ativa no município. Valdir Péres Pereira tentou reverter a decisão por meio de recurso especial eleitoral, com pedido de tutela de urgência para atribuição de efeito suspensivo aos acórdãos que cassaram o DRAP do União Brasil. No entanto, o pedido foi negado. Em decisão assinada pelo presidente do TRE-MS, desembargador Carlos Eduardo Contar, a Corte deixou de conhecer o pedido por incompetência da instância naquele momento processual, uma vez que os recursos já haviam tido o juízo de admissibilidade encerrado, cabendo eventual análise ao Tribunal Superior Eleitoral. As decisões que inadmitiram os recursos especiais foram publicadas em 16 de dezembro de 2025 e determinaram o cumprimento imediato dos acórdãos que anularam a votação do partido. O TRE-MS também destacou que já havia sido apreciado pedido anterior de efeito suspensivo, o que levou à preclusão da matéria. A retotalização dos votos das eleições proporcionais de 2024 em Bandeirantes estava inicialmente prevista para dezembro de 2025, mas acabou sendo adiada devido a problemas técnicos relacionados à conexão com a internet. O procedimento foi retomado em 2026 e concluído com a nova totalização, redistribuição das cadeiras e a diplomação de Eugênio Fernandes Júnior. Com a decisão judicial e a conclusão dos trâmites eleitorais, a Câmara Municipal de Bandeirantes passa a ter nova composição, refletindo os efeitos da anulação dos votos do União Brasil e da aplicação das normas eleitorais relacionadas à cota de gênero.
