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Conectados demais, preparados de menos

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Nas vias digitais, como nas terrestres, conduzimos sob regras específicas e estamos sujeitos a riscos e ameaças, como acidentes, buracos e motoristas imprudentes.  Cada compartilhamento, postagem, mensagem ou acesso a um site ou mídia social é como uma manobra nessa estrada invisível que exige atenção e responsabilidade.  Ambas as vias podem nos conduzir a destinos maravilhosos, se as utilizarmos com sabedoria, propósito e atenção. Um simples clique errado pode causar um “acidente digital” nesse universo onde as ameaças podem ser invisíveis e silenciosas como vírus, malwares, golpes virtuais, vazamentos de dados, assédio virtual e fake news. Os nativos digitais nasceram imersos nesse ambiente, mas quem os ensinou a conduzir nas vias digitais? O desafio vai muito além de vigiar ou proibir: é preciso estar presente, ser exemplo e educar para o uso consciente da tecnologia. Também requer direcionar inteligências tecnológicas e criativas, com empatia, sabedoria, segurança e propósito. No entanto, muitos adultos perderam o domínio da tecnologia, limitando-se a meros usuários, consumidores, curtidores e compartilhadores de conteúdo. Além de desperdiçarem sua autonomia e oportunidades, tornaram-se incapazes de orientar seus dependentes, inclusive em relação aos perigos do universo digital. Outro desafio reside em encontrarmos o equilíbrio entre as conexões virtuais e os relacionamentos reais. Devemos aproveitar os benefícios da internet e das mídias sociais sem perder de vista nossos valores e o zelo pelas relações mais próximas e autênticas. São elas que nos moldam, transformam e nos conectam às pessoas com quem podemos de fato contar. A mesma coisa se aplica às atividades online e offline. A hiperconectividade pode reduzir nossos momentos de diversão no mundo real e também afetar os momentos de silêncio e introspecção, fundamentais para processarmos nossas emoções e analisarmos as situações com clareza e de forma equilibrada. A supervisão parental, para ser efetiva, deve ser baseada em vínculos de confiança. Na certeza do amor acima de tudo e no diálogo. Ele favorece a construção de um ambiente onde as crianças e adolescentes não apenas obedeçam, mas compreendam e colaborem. Limites precisam ser estabelecidos, mas também explicados e assegurados com coerência, clareza, respeito e amor, de forma que as crianças e adolescentes compreendam claramente o que é esperado deles e as razões envolvidas. É preciso que eles se sintam ouvidos e confiantes no apoio de seus pais e responsáveis. A tecnologia é um meio facilitador que pode possibilitar inúmeros benefícios se usada com propósito e sabedoria. No entanto, seu uso excessivo e inadequado pode produzir condições nocivas. É nossa responsabilidade geri-la de forma sábia, além de nos informarmos e buscarmos ajuda para fazê-lo, inclusive por meio de auxílio médico especializado, se necessário. Vivemos na era digital, mas não somos robôs! Precisamos ter cuidado para que o ambiente digital não nos leve à exaustão emocional. Priorize a construção de laços genuínos, com “pessoas reais”, pautadas no amor e respeito, em vez de conexões superficiais baseadas em máscaras digitais. Afinal, mesmo no universo digital, onde bytes cruzam o planeta em milissegundos, o amor é e sempre será a linguagem mais poderosa para conectar e educar. A verdadeira conexão não ocorre por cabos ou sinais, mas por corações que sabem amar e compartilhar. (*) Fabio Toledo é professor, sócio fundador da I9group e autor do livro “Conduzindo nas Vias Digitais”.