Casos de leptospirose aumentam em Goiás; morte de desembargador é investigada
O estado de Goiás registrou 34 casos confirmados de leptospirose em 2025, número superior ao observado em 2024, quando foram contabilizadas 25 ocorrências. O crescimento acende um alerta para a doença, especialmente após a morte do desembargador Maurício Miranda, ocorrida no último domingo, 4, em Goiânia, com suspeita de infecção pela bactéria.
Maurício Miranda, de 60 anos, era desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Ele foi internado no dia 1º de janeiro de 2026 e faleceu três dias depois, após apresentar um quadro grave de insuficiência respiratória aguda, associada a pneumonia bacteriana e hepatite transinfecciosa, que evoluiu para falência renal e hepática. O magistrado estava internado no Hospital Jacob Facuri.
As informações foram confirmadas pelo 1º vice-presidente do TJDFT, desembargador Roberval Belinati. Segundo ele, a equipe médica passou a suspeitar de leptospirose após a realização de exames, embora ainda não haja confirmação clínica definitiva. Condições de saúde pré-existentes, como diabetes, podem ter contribuído para a gravidade do quadro.
A Secretaria de Saúde de Goiás informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre um caso de leptospirose relacionado à internação do desembargador. A reportagem tentou contato com o hospital, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Situação nacional
Em comparação com outros estados, Goiás apresenta números menores, mas o avanço preocupa. Dados do Ministério da Saúde indicam que São Paulo e Rio Grande do Sul registraram 316 e 255 casos de leptospirose, respectivamente, no ano passado.
Quem era Maurício Miranda
Maurício Miranda tomou posse como desembargador em janeiro de 2023. Antes, construiu longa carreira como procurador de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). Ganhou notoriedade nacional ao atuar em casos de grande repercussão, como o Crime da 113 Sul e o julgamento do assassinato do indígena Galdino Jesus dos Santos.
Formado em direito pela Universidade de Brasília (UnB) e em economia pelo Centro Universitário do DF (UDF), era mestre em direito pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e atuou como professor de direito penal por mais de 15 anos. Antes de ingressar no MPDFT, em 1991, também exerceu a função de promotor no Ministério Público de Goiás (MPGO).
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