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Июнь
2023

Em protesto na Funai, indígenas pedem "impeachment" de cacique de Miranda

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Cerca de 20 indígenas terena da Aldeia LaLima, em Miranda, estão na sede da Funai (Fundação Nacional do Índio), em Campo Grande, reivindicando ajuda do órgão para oficializar a eleição do novo cacique, realizada no dia 23 de maio. O grupo reclama da gestão atual, alegando problemas no sistema escolar e desrespeito aos anciãos. O atual cacique é João Batista Pires da Silva, com mandato até 2025. Porém, no dia 23 de maio, a comunidade se reuniu e fez outra eleição, com posse no dia 2 de junho do eleito, o cacique Gilson Gomes Pinheiro, com participação de cerca de 300 indígenas. Pinheiro também está entre os manifestantes hoje em Campo Grande e pede intervenção da Funai para oficializar o resultado. “A comunidade se revoltou, já foi feita a troca, a gente só quer o respaldo da Funai na questão da organização interna”. Segundo o eleito, o cacique atual não aceitou o resultado. Durante a eleição, segundo Pinheiro, João Batista pegou a ata e rasgou e diz que não irá deixar o cargo. Pinheiro diz que é preciso fazer a mudança. “A aldeia está muito bagunçada”. Diz que há funcionários sem qualificação na escola, não há respeito com os anciãos e crianças, há grande problema de alcoolismo e uso de drogas e teme aumento da violência. O coordenador da Funai em Campo Grande, Elci Terena, disse que essa é questão interna e que o órgão não poderia interferir, já que Batista tem mandato até 2025. A eleição é realizada a cada 4 anos. A reportagem falou com o cacique João Batista e ele disse que foi eleito por duas vezes, a partir de 2017, com cerca de 400 assinaturas. Acredita que o levante é disputa interna e afirma não ter sido consultado nas reuniões. “Só quero terminar meu mandato”. A Aldeia LaLima tem área de 2,9 mil hectares e população formada por 1,5 mil pessoas, segundo dados do site da Funai.