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Июнь
2023

Quem ocupará o vácuo de liderança hidrófoba

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Com a ausência de Bolsonaro na cédula eleitoral, abrem-se espaços para candidaturas que se apresentem como uma direita em tese menos polarizadora

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Após sofrer duas derrotas cruciais nas eleições de 2022 e em uma tentativa posterior de golpe, o ex-presidente Jair Bolsonaro tem uma montanha de processos e dificuldades: terá condições de manter sua força sem concorrer nas próximas eleições presidenciais em 2026?A derrota nas eleições passadas foi o resultado do evidente rechaço dos eleitores aos quatro primeiros anos de seu mandato. Bolsonaro teve a oportunidade e os recursos para governar, mas falhou de forma inédita. Fracassos como esses deixam uma marca de perdedor, difícil de ser superada.Com a ausência de Bolsonaro na cédula eleitoral, abrem-se espaços para candidaturas que se apresentem como uma direita em tese menos polarizadora, em contraste com o estilo controverso e desumano característico do ex-presidente. Quais serão as chances eleitorais futuras e as possíveis candidaturas que poderão preencher o vazio de liderança deixado pela cassação de Bolsonaro?Pode surgir uma candidatura da família, especialmente de Michele, mas seu caráter seria diferente. Mesmo uma liderança bolsonarista de massa não teria mais o mesmo impacto e novidade da original.Os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de Minas Gerais, Romeu Zema, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, surgem como competidores naturais para tentar preencher esse vazio de liderança. No entanto, até o momento, quase seis meses após a posse, nenhum deles apresentou realizações marcantes ou a capacidade de mobilizar paixões e seguidores da mesma forma que Bolsonaro.Tarcísio exerce um mandato sonolento. Leite segue o mesmo caminho. Zema ganhou manchetes por discriminar nordestinos e demonstrar desconhecimento sobre Adélia Prado.Diversas questões surgem, embora ainda seja cedo para arriscar respostas definitivas. Será que o contexto das próximas eleições repetirá o dos pleitos de 2018 e 2022? Qual será o paradigma? É certo que um candidato petista estará na disputa, como tem sido o caso há décadas. E mais?Comparado a 2014, 2018 e 2022, houve mudanças relevantes. A Operação Lava-Jato, por exemplo, sofreu um desgaste avassalador e teve suas intenções criminosas expostas. A mídia de direita foi forçada a se afastar, e o Judiciário teve que reavaliar suas próprias ações.Mesmo os militares adotaram uma postura mais cautelosa, se distanciando do bolsonarismo radical. O experimento bolsonarista fracassou, e sua tentativa de minar as instituições democráticas e sua rejeição às eleições deixaram marcas.Bolsonaro está condenado pelas elites oligárquicas por não ter conseguido entregar a elas a vitória e, pior ainda, por ter permitido a vitória de seu inimigo, Lula.É evidente que tudo pode mudar ao longo do tempo, mas esses fatores terão peso. Em um contexto diferente, sem as condições que o levaram a ser eleito em 2018, o movimento que elegeu Bolsonaro encontrará motivação para recuperar a influência que já teve?É mais provável que os sentimentos atuais de derrota se acentuem não apenas entre a cúpula, mas também entre as fileiras do bolsonarismo, causando desânimo e a busca por respostas.O futuro dependerá, é claro, do desempenho do governo Lula. Os sinais iniciais inspiram um otimismo cauteloso. A queda nos preços dos combustíveis, a deflação nos alimentos, a queda do dólar além do esperado e os sinais de crescimento econômico levam os analistas a reverter previsões, que agora são embaladas em otimismo.A aprovação de leis importantes, como o arcabouço fiscal e a PEC dos ministérios, sugere uma rota menos instável do que se esperava. O governo parece ter encontrado uma forma de trabalhar pontualmente com um Congresso adverso.Esse cenário leva o presidente Lula a se apressar em reafirmar que pode viver até os 120 anos, numa exibição de vigor cheia de motivações eleitorais.Apesar da rejeição que ainda existe em relação ao seu nome e ao PT, o que não pode ser subestimado, será o desempenho de Lula que determinará as chances de um retorno bem-sucedido da extrema-direita, agora disfarçada sob uma abordagem mais "técnica".Também depende de Lula saber se a centro-direita será capaz de sair do isolamento em que se encontra desde 2014, quando já apostava em elementos de um bolsonarismo "avant la lettre". Dentro da coalizão governista, Lula é um irmão siamês de Fernando Haddad. Se conseguir destravar a economia, Haddad pode tanto impulsionar um quarto mandato de Lula como fortalecer suas próprias chances.A alternativa que emerge com mais evidência é o ministro da Justiça Flávio Dino, do PSB, que conta com apoio digital significativo e entusiasmo mesmo entre setores da base petista. Também dentro da frente governista, nomes como Geraldo Alckmin e Simone Tebet surgem como possíveis candidatos, aguardando a ocasião correta para lançarem suas próprias candidaturas. Essas considerações são importantes para entender a influência que eles têm não apenas no jogo político futuro, mas também no atual.