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Amigos transformam paixão por moda alternativa em marca de streetwear

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Camiseta “diferente demais”, estampa “viajada”, estética que foge do padrão. Para alguns mais conservadores, as camisetas underground criadas pelos amigos João Otávio Lechuga e Rafael Dallamico ainda causam estranheza, mas quem curte moda streetwear, ou seja, moda urbana e casual, abraçou a ideia que começou em 2020, assim que eles saíram do ensino médio. Sem muita ideia do que fazer da vida, mas com vontade de criar algo que fosse deles. Os dois investiram tempo e criatividade no hobby que foi batizado de Mush Stuff. O que era para preencher o tempo virou identidade dos dois com peitas, como eles chamam, psicodélicas que logo migraram para grafias mais impactantes.  Com o passar dos anos, a marca amadureceu junto com os criadores. João conta que traz nas peças influência do hip hop, da cultura da rua, da música e do rap. “A gente não pega uma referência só. Não tem uma fonte única. Buscamos artistas daqui, do Brasil e do mundo. É a nossa expressão artística. A gente coloca isso na peita”, resume João. A marca é voltada para o público alternativo. Segundo João, apesar de muitos acharem que a parte difícil é criar, se existe um desafio real, ele não vem das ruas, mas dos bastidores. Pequenos, independentes e fora do circuito industrial, eles enfrentam dificuldades com fornecedores. “Os pedidos demoram mais, a gente não tem tanta preferência porque é pequeno.” A estrutura é enxuta. Não trabalham com grandes estoques. As vendas acontecem em drops: lançou, vendeu, acabou. Até agora, foram 16 drops e duas coleções com mais de uma estampa. O resto é exclusividade. As peças custam, em média, R$ 120. Apesar de 6 anos de existência, eles não têm pressa. João é formado em design e escolheu o curso por causa da marca para entender melhor construção de peça e aprofundar repertório visual. Mesmo que a faculdade não tenha foco direto em modelagem ou moda. Já  Rafael trabalha em loja de shopping. Amarca ainda não é a única renda de nenhum deles. “Eu sei que tem marcas de Campo Grande que levaram de 10 a 15 anos para virarem realmente relevantes. Em 6 anos, eu ainda sinto que estamos no começo. Não tenho pressa de que seja tudo para ontem.” O sonho é viver só de moda. João já pensa em especialização para se aprofundar e transformar o hobby em profissão integral. Enquanto isso, a marca segue como espaço de experimentação, amadurecimento e insistência.